quarta-feira, 19 de setembro de 2018

SERRA GRANDE

Foto por Fernando Campanella


 
O mundo visto daqui é uma aquarela cambiando cores ao longo do dia. Ao longe, às vezes, alguma tempestade se encorpa, confunde céus e terra, e passa.
 
(Fernando Campanella)
 
 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

CORDEL ENVENADO


Fotos por Fernando Campanella

O menino da casa ao lado solta uma pipa vermelha - descarrega, puxa, assovia. Testa a liberdade ao vento como se com uma lua, agora cheia, brincasse.

Já quase noite, a mãe, da janela, o chama várias vezes para o lanche e a rotina dos deveres escolares.

Esse casulo, sob o acalanto da lua, reminiscências de minha infância, totalmente feliz me poria, não  fossem meus pensamentos de outras pipas, outras janelas, não tão longe, de geografias mais desprovidas, onde mães em pavor invocam seus santos, chamando os filhos para dentro, para o incerto abrigo embaixo da mesa, atrás do sofá, sob a ameaça de balas perdidas de um tiroteio a começar.  

Meninos voam com sonhos, talvez de um Einstein, um Mandela, ou mesmo de um cidadão do bem, como seu pai, quando infantes. Porém, às vezes, cordéis se envenenam, as pipas desgarram e vão, sabe lá Deus aonde, à revelia da infância, pousar.  

(Certas ruas
 certas ruas têm um bosque
 - armadilhas - que se chamam
 que se chamam exclusão...)

Fernando Campanella



segunda-feira, 31 de julho de 2017

NO JARDIM

Foto por Fernando Campanella

Percebo neste inverno, no meu jardim, que um broto de ixora (Ixora Coccinea) recebe a luz do sol diretamente sobre seu corpo pouco depois das 4 da tarde. São alguns minutos de uma transformação que corteja o milagre. A planta parece namorar aqueles raios tão fugazes, ainda que intensos.
E a simbiose se afirma, tudo fica mais bonito, embora a sombra logo se imponha, com o peso do frio das noites de julho.
Acredito que, passada a estação das águas, a raiz fincada na terra, este broto encontra na gratidão, na plena entrega à luz por tão rápidos minutos, a força e a alegria para medrar por aqui.
Esta é a expressão da beleza a que consigo chegar. Gostaria de ir mais adiante, entender as razões, os porquês desta alquimia arbórea, porém, como diz o poeta norte-americano, Robert Frost, "alguma coisa tem que ser deixada para Deus".
(Fernando Campanella)
 
 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

UM TUDO QUASE NADA


 
 
um tudo quase nada
um mínimo de luz
sobre um grão de mostarda
 
(Fernando Campanella)
 
 


sábado, 22 de julho de 2017

UMA SUPERLUA

(Foto por Fernando Campanella)


 
 Às vezes travo um solilóquio com a morte
com a dor inapelável
dos que não escapam ao fim.
De repente uma superlua
(ou teu olhar?) 
desponta entre as ramagens sombrias
e parece me dizer baixinho:
sossega, eu ainda estou aqui.
(Fernando Campanella)




domingo, 16 de julho de 2017

RIBALTA

                                           
 

Tua vida foi mais um palco
As luzes cessaram
Os aplausos minguaram -
 
E agora, e agora, irmão?
 
Agora que apenas te resta
Desfazer as dobras
Tatear as sombras
Do rosto de Hades
 
Dançando ao som
Da brisa leve
Soprando a vela acesa
Na palma de tua mão.
 
(Fernando Campanella)
 
 

domingo, 5 de julho de 2015

QUADRILHA MODERNA

Foto por Fernando Campanella

Rodrigo amava Diogo que amava Bruna que amava Raissa que amava
Bianca e Thiago que não amavam ninguém.
Rodrigo foi para Miami, Diogo para Caracas.
Bruna morreu de overdose, Raissa, vítima de assalto.
Bianca converteu-se crente, Thiago, transexual, virou Yasmin
e entrou em união estável com P. J. Collins,
empresário americano que não tinha entrado na história.

Fernando Campanella

(Com a licença do mestre Drummond, um aggiornamento que fiz de seu poema "Quadrilha", publicado em 1930)





segunda-feira, 6 de abril de 2015

A ARTE DA FUGA

Foto por Fernando Campanella


Sobre "A Arte da Fuga", última obra de Bach, inacabada, a pianista Angela Hewitt diz que mesmo o compositor tendo trabalhado a peça em ré menor, tonalidade geralmente associada a afetos de tristeza, "Bach pode dançar".
Outro dia divaguei sobre como as paisagens, as pessoas, que fotografo denotam uma certa tristeza, imbuída da mais teimosa alegria.
Minas, em seus contrapontos e harmonias, talvez, me desperte justamente isto: uma fuga, uma melancolia querendo dançar.

(Fernando Campanella)




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

POLÍTICA NACIONAL, EMPREITEIRAS E CARAVELAS

Foto por Fernando Campanella

Mário de Oliveira Filho, advogado do lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, um dos 24 presos na Operação Lava Jato, diz que NÃO SE FAZ OBRA PÚBLICA NO BRASIL SEM "ACERTO" e quem nega isso "desconhece a história do país".

E diz ainda, segundo a Folha de São Paulo:
"O empresário, se porventura faz alguma composição ilícita com o político para pagar alguma coisa, se ele não fizer não tem obra. Pode pegar qualquer empreiteirinha e prefeitura do interior do país. Se não fizer acerto, não COLOCA UM PARALELEPÍPEDO NO CHÃO."

(Mario de Oliveira Filho, advogado. Reportagem da Folha de São Paulo)


Francamente, não sei por que ando tão assustado com as revelações da operação Lava a Jato. Será que nós, brasileiros, inocentemente, não suspeitávamos (sabíamos) disso tudo? Ou que sabíamos e fazíamos vista grossa, ou não forçávamos a barra para abrir a boca, ou, então, calavam nossas bocas?

Em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o jornalista Paulo Francis, no programa de TV de que participava, em Nova Iorque, o Manhattan Connection, denunciou que havia um esquema de grande roubalheira na Petrobrás, que todos os diretores da estatal tinham contas na Suíça. O presidente da empresa na época, o sr. Joel Rennó, moveu um processo milionário contra Francis, e que talvez tenha levado o jornalista a uma morte por ataque cardíaco meses depois.

Sabíamos, ou não, que havia algo de podre no reino da Petrobrás?


Se é para moralizar mesmo, apartidariamente, deveriam retroceder as investigações do "lava-jatismo", até chegarem á origem da corrupção na estatal. (Nem que fosse para uma justiça póstuma a Paulo Francis.) O país sairia ganhando, e plena justiça seria feita.  

Acrescente-se ao exposto acima que as grandes empresas de infraestrutura do Brasil não surgiram na década passada e que, certamente, não foram corrompidas, ou corromperam, ou ambos, em conluio, apenas nas gestões do PT. Vejamos as datas de fundação de algumas delas, mencionadas nas delações:

QUEIRÓS GALVÃO - 1953, CAMARGO CORREA - 1939, MENDES JUNIOR - 1953, ANDRADE GUTIERREZ - 1954/55, ODEBRECHT - 1944, OAS , a caçula da construção civil no Brasil, mas mesmo assim criada em 1976.

Em que pesem a eficiência e a qualidade dos serviços prestados por tais empresas, inclusive no exterior, convenhamos, somos algozes e vítimas da má política. E, usando uma expressão mais vulgar, mas muito apropriada, o buraco deve ser mais embaixo, ou , no caso, mais antigo, caso contrário, não haveria pobreza e miséria de tão longa data no país. 

E será que não sabemos dessa cultura política tão nefasta a que o advogado Mário de Oliveira Filho se refere no início do texto?

Há algo de podre em toda política nacional? Mas, política é mesmo assim, segundo o senso comum, e é melhor nela não se envolver?

Outro dia li em um jornal uma piada, desconheço o autor, que dizia até as construção das caravelas de Cabral terem envolvido licitações fraudulentas, com muita propina repartida. Ri muito, mas o negócio é sério demais. A democracia está aí. Ou nos conscientizamos, ou tudo continua na mesma.

Fernando Campanella



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

NOVELOS



Ora dois flamingos bordados, 
ora teias despidas de luz,
teus olhos lembram tramas
e desfechos - infinito costurar
e desfazer da paixão. 

O azul que me chama na tarde
logo são galhos que entrançam -
labirintos por onde enredo -

teus olhos que me adentram, 
esses novelos dispersos. 

Fernando Campanella

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

"ANTHONY ADVERSE"

Meu pai, foto tirada por mim. 


Meu pai, em seus momentos de ternura, tem me chamado de "Antoní Adverso". Meu nome completo é Antonio Fernando, nascido em 13 de junho, dia de Santo Antonio. Minha família me chamava de Toninho em minha infância,  mas a partir do primeiro grau na escola assumi o nome de Fernando. 

Mas, Antoní Adverso? Por que meu pai, com 93 anos de idade, vem me chamando assim ultimamente, brincando? (Coloquei acento no "ni" porque ele pronuncia a palavra como uma oxítona). 

Após seu banho ontem, ele repetiu o "apelido" carinhoso. Sua cuidadora  perguntou-lhe por que me chamava dessa maneira e ele respondeu: porque ele é contrário a mim. Rimos todos e ela tomou minha defesa dizendo-lhe que eu estava do lado dele, não contra. 

Bom, ontem decidi encontrar a razão desse "Antoní Adverso", intuindo que de algum lugar deveria ter vindo tal denominação. E graças à internet tive a resposta. Trata-se do nome de um filme norte-americano, de 1936, dirigindo por Mervyn LeRoy, com Olivia de Havilland no elenco. Baseado em novela homônima, o épico em preto e branco foi uma super produção para os padrões da época, indicado ao Oscar de melhor filme do ano, mas vencedor do prêmio em algumas outras categorias. No Brasil recebeu o nome de "Adversidade". 

Meu pai, com quinze anos de idade na época, deve ter assistido a esse filme, uma vez que era apaixonado por cinema. 

As coisas realmente não vêm do nada. A memória afetiva está sempre presente, como renitente farol,  mesmo quando os neurônios castigam e endurecem os idosos. Foi uma agradável surpresa para mim descobrir a razão do "Antoní Adverso", apesar de o adjetivo trazer uma conotação de "contra", "contrário".
Mas, como minha amiga Helen Drummond sabiamente comentou após ler minha crônica, "O amor é sempre doce e suave. Algumas asperezas (adversos?) acontecem apenas para lhe extrair o sumo". 

E como uma homenagem à terceira, melhor, idade, ao meu pai, aos avós e bisavós, a todos que já viveram, ou ainda vivem, uma longa história, deixo aqui uma reflexão que encontrei no site da UOL:

"Os idosos não são uma categoria à parte, todos nós continuamos a nos desenvolver, envelhecemos dia após dia e aos jovens cabe saber que devemos oferecer o carinho a atenção aos mais velhos. O mundo está pronto para os jovens porque existiram outros jovens que hoje estão em outra fase da vida, a velhice. E ela um dia nos terá. É inevitável o curso da vida."

Fernando Campanella   

   Parte da trilha sonora e vídeo promocional do filme de 1936                                        

https://www.youtube.com/watch?v=Ss7ONnzv--U


 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

SINE QUA NON



Ah, este instante na tarde
quando o sol bate seu ponto
e se despede
de um afugentar as sombras,
de mais um dia de claro ofício. 
Pago pelos préstimos
ao operário sine qua non
com a moeda de meus sonhos,
um certo dourar de meus sentidos. 
Logo à noite vou desejar
que no outro dia retorne,
que nunca me deixe sem seu brilho. 
Posso então, a alma estendida, ressonar:
a luz, eu sei, em seu percurso também
me busca, e sempre haverá de me achar. 

Fernando Campanella



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

UM HAIKAI

Foto por Fernando Campanella


O sol entre nuvens
piados de bentevis:
primavera em mim.


Fernando Campanella



domingo, 27 de julho de 2014

DANÇA DAS HORAS

Foto por Fernando Campanella


O velho pêndulo da sala
tiquetaqueia a vida
para além do mecanismo das horas.
Traz levezas, alegres algaravias -
asas de borboletas - entremeadas a ruídos
das mais secas, dolorosas matracas.
Quando nascemos, são júbilos e sinos,
ao partirmos - ranger de ossos -
são traques - catracas -

quem sabe, enfim, o silêncio -

a tua voz que desincorpora -
mas um vulto sempre lhe dá cordas
e o velho pêndulo da sala não para. 

Fernando Campanella


quinta-feira, 17 de julho de 2014

CASA À ENTRADA DO LAGO

Foto por Fernando Campanella

Esta luz por sobre a velha casa
transpôs o dia, desmancha a tarde.
Como aves de longo alcance
meus olhos requerem distância
e percorrem a longa, aérea 
trilha deixada. 
Não me lembrem agora que caminhos 
apenas conduzem a caminhos 

que labirintos sempre me trazem 
de volta, ao mesmo lugar - mais nada.

Fernando Campanella


quarta-feira, 9 de julho de 2014

"VEXAME" NACIONAL

Foto por Fernando Campanella

Levantei hoje como após um pesadelo, sentindo a derrota da nossa seleção para a Alemanha. Mas logo lembrei que haviam batido à porta da minha casa algumas horas antes, às quinze pras cinco da manhã. Batidas fortes, insistentes, que me acordaram. Fui olhar pela janela da sala (nao tenho interfone) e eram policiais perguntando se aqui morava um vizinho meu. Desculparam-se e me disseram que precisavam informar a ele, o vizinho, que haviam prendido os assaltantes de seu estabelecimento comercial. O assalto, fiquei sabendo depois, havia ocorrido após o término do jogo de ontem.

Tenho que passar no escritório da CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais) para reclamar que há três meses a conta de luz não chega à minha casa, meu direito de consumidor. E infinitas pequenas coisas para administrar no meu dia, com um tempinho para editar minhas fotos e postar esta crônica aqui. 

Não vou mais pensar na derrota, decidi. Está mais que na hora de pendurar as chuteiras deste ópio tão cegante, tão manipulado, que é o nosso futebol. Afinal, nenhum membro da seleção perderá seus contratos, seus milhões. A FIFA arrecadou milhões também, e quem for campeão nesta Copa vai ter seus dias de glória, como já tivemos, as redes sociais vão continuar ridicularizando nosso "vexame"... Além disso, há preocupações mais urgentes, como as sócio-econômicas, as referentes à Educação e Saúde públicas, à violência, e (escrevam) à chuva que não vem, escassa em níveis alarmantes, com a perspectiva de um racionamento de água e energia nunca visto antes no Sudeste. 

Cá entre nós, esses problemas tão mais sérios, cruciais, o partidarismo nacional não soluciona. (É aquele eterno blablablá de farpas mútuas, conchavos vergonhosos, demagogia e corrupção.) Nem o futebol. Mas, como disse um amigo, vamos continuar hasteando a bandeira nacional nas instituições, nas casas, nos carros, dentro de nós. Foram atos execráveis os que vi pelos noticiários de torcedores queimando nosso símbolo mais sagrado, vital. Deu vontade de  dizer a eles - companheiros, expressem toda esta indignação nas urnas, não confundam nação com futebol.    Afinal, com ou sem este, e sem a vitória na Copa, temos uma Pátria, precisamos dela, e ela precisa de nós. 

Fernando Campanella  




sábado, 21 de junho de 2014

AMÉM




E Deus rogou as pragas –
capituvas, trevos, ora-pro-nóbis...

Após as chuvas
um sapo estufa
e a vida estica.

Um pardal corteja
a flor conspícua
da tiririca.

Fernando Campanella



domingo, 25 de maio de 2014

POEMAS ANTIGOS



Já viste a alma presa
no cálice de tua mão?
Não validemos tal dor,
no cômputo total
ela não vai além de uma gota,
um suspiro de orvalho
sacrificado ao ar. 
Ao universo nada importa,
tudo traz o selo da perfeição.
Não choro -
mas como queria de vós, 
Natureza, uma tal isenção.

(Fernando Campanella, 1986)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

AS AVES DO CÉU

Foto por Fernando Campanella 

"As raposas têm as tocas e as aves dos céus, ninhos; mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça." (Mateus, 8,20)


...Tarde de maio, teu espelho me afaga -
e as aves sonolentas retornam à casa.

(Final do poema Vias Errantes, por Fernando Campanella)




sexta-feira, 16 de maio de 2014

O PAI



O pai me chamou na sala e perguntou: cadê tua mãe? 

A mãe? - perguntei, em resposta, com incredulidade e espanto, pois já haviam se passado quase doze anos desde o falecimento dela.

Outro dia eu pensara em como os neurônios castigam, amargam a longevidade, pela própria perda deles, ou outros fatores, mas hoje, diante da pergunta de meu pai, na dureza e glória de seus 93 anos,  consegui perceber um veio de ternura em sua voz. Momento de solo absoluto, em que o touro, frágil, torna-se ave, e a memória faz seu ninho. Indagar por alguém que já partira há tantos anos, como se a presença física da pessoa amada, com quem convivera por bem mais de meio século, ainda rondasse os aposentos da casa, e sua voz se fizesse ouvir da varanda, da cozinha, é algo, no mínimo, resplandecente, rompendo os grilhões de ferrugem, a tirania dos hábitos, dos medos que a solidão procria.

- A mãe? Ela está parte no céu, parte aqui conosco - acrescentei - reze por ela.

No final de nosso diálogo, meu pai, em tocante desamparo, disse-me que estava perdendo a memória. Arrematou que orava pela esposa diariamente. E não estava sendo demagogo, não estava mentindo: várias noites antes de ele se deitar, sem que me visse, eu o observara fazer o sinal da cruz diante  do antigo porta retrato em seu quarto. Então tomava-o nas mãos, beijava a imagem dela, dizendo baixinho: minha eterna companheira.

Os seres, embora imbuídos em categorias e espécies, desde as casas que habitamos, as árvores, as flores, os animais de estimação, até os nossos entes queridos, são únicos, insubstituíveis, mas passei a mão no cabelo branco de meu pai como para dizer: eu estou aqui, mesmo com toda ausência, toda falta que o senhor possa sofrer. E  o senti mais leve, pois de alguma maneira eu intuía que a mãe estava ali entre nós.

Fernando Campanella