terça-feira, 10 de março de 2009

PALAVRAS DO DALAI-LAMA


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Palavras do Dalai- Lama em sua autobiografia:

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SOBRE MADRE TERESA DE CALCUTÁ:

“...Madre Teresa de Calcutá ... é outra pessoa por quem tenho o mais profundo respeito. Fiquei logo impressionado pela sua atitude de absoluta humildade. Do ponto de vista do budismo, ela poderia ser considerada um bodthisattva...”

SOBRE MEDICINA TIBETANA

“O tratamento ( de uma doença) consiste, primeiro, eem comportamento e dieta. Só em segundo lugar vêm os remédios. Em terceiro lugar, a acupuntura e a moxibustão (um tratamento específico pelo calor) E em quarto a cirurgia. Os remédios são feitos de material orgânico, às vezes combinado com óxidos metálicos e certos minerais (inclusive, por exemplo, diamantes pulverizados)...”


SOBRE DENG XIAOPING , GOVERNANTE COMUNIST CHINÊS;

“...Acresce que, em matéria de política, ele se mostrava mais preocupado com economia e educação que com ideologias e slogans vazios...”

DE SUA VISITA À URSS:

“... a espiritualidade está tão profundamente enraizada na mente do homem que é difícil de erradicar – senão impossível...”

SOBRE A RELIGIÃO , EM SUA VISITA À URSS

“... Foi nesse museu que vi um quadro que mostrava um monge com uma grande boca aberta na qual entravam nômades acompanhados de seu gado. Aquilo tinha uma óbvia intenção de propaganda anti-religiosa... Havia alguma verdade no que a pintura dizia... Toda religião tem a capacidade de fazer mal, de explorar as pessoas, como dizia aquela imagem. Não era culpa da religião em si, mas daqueles que a praticam.

SOBRE A CONSCIÊNCIA:

“... Segundo o pensamento budista, são muitos os níveis de consciência. Os mais grosseiros são os da percepção ordinária – tato, visão, olfato, etc – e os mais sutis, os que se apreendem no momento da morte. Um dos objetivos do Tantra é permitir ao praticante ‘experimentar’ a morte porque é então que as mais potentes realizações espirituais acontecem...”

SEU PLANO DE PAZ ( PARA O TIBET) DE CINCO PONTOS:

1. A transformação de todo o Tibet numa zona de paz.

2. O abandono da política chinesa de transferência de população, por ameaçar a própria
existência dos tibetanos como um povo.

3. Respeito aos direitos humanos fundamentais e às liberdades democráticas do povo ti-
betano.

4. Restauração do meio ambiente tibetano e sua proteção, com o abandono pela China
do uso do Tibet para a produção de armas nucleares e lançamentos de refugos nucle-
ares.

5. Início de negociações sérias sobre o status futuro do Tibet e das relações entre os po-
vos tibetanos e chinês.















segunda-feira, 9 de março de 2009

HERMANN HESSE


(Aquarela de Hermann Hesse)
confortin.com.br/?p=68

Hermann Hesse é uma presença, uma identificação em minha vida. Seu romantismo atemporal, sua sensível leitura do mundo , suas aquarelas, tudo dele me toca, como um mistério, tornando-me, além de um admirador ou um discípulo, um continuador desta corrente de almas que buscam na natureza inspiração e sentido, nela encontrando sua verdadeira pátria.

Este poema meu, abaixo, exemplifica o exposto acima:

Outono
uma aragem
uma estação
um rito de passagem...
um cão sem pelo
em cima do muro:
não é lava nem gelo
nem claro nem escuro
uma luz quase sedada
em transição
(as árvores confrangem;
os ursos já estendem
suas camas)
um sopro
esta alma esvoaçada
um verso
uma folha de mim
à tua janela
deixada.

Fernando Campanella


Agora, um trecho de um livro de crônicas de viagem do Hesse, ‘Pequenas Alegrias’, que comprei em um Sebo. Publicação da editora Record em bela tradução de Lya Luft, de 1977.


“...Muitas coisas boas ainda nos esperam antes que o inverno retorne. As uvas azuladas se tornarão macias e doces, os rapazes cantarão durante e colheita, as mocinhas em seus coloridos lenços de cabeça parecerão belas flores do campo entre as videiras. Muitas coisas boas ainda nos aguardam, e muito do que hoje nos parece amargo amanhã parecerá doce, quando tivermos aprendido melhor a arte de morrer. Por enquanto esperamos o amadurecer das uvas, o cair das castanhas, esperamos apreciar a próxima lua cheia, envelhecemos visivelmente, mas ainda vemos a morte bastante ao longe. Como disse um poeta;

Magnífico é para os velhos
O calor do fogão e o rubro vinho,
E por fim uma suave morte –
Mais tarde, porém, hoje ainda não!

( Hermann Hesse, Fim de verão, 1926)




PELOS CAMPOS


Passam nuvens no céu,
sopra o vento pelos campos,
pelos campos vagueia
o perdido filho de minha mãe.
Rolam folhas nas estradas,
- cantam pássaros nas árvores
nalgum lugar pelos montes
deve estar minha terra
distante.

(Hermann Hesse)


domingo, 8 de março de 2009

A OSTRA E A POESIA


Ferreira Gullar (http://images.google.com.br/imgres?
http://palavraguda.files.wordpress.com/)

Tenho estado um tanto alheio aos acontecimentos do mundo. Fruindo a vida possível, em certas incursões pela natureza, pelo passado, buscando a cultura do simples, do espontâneo, transformando essas experiências em crônicas, pensamentos e poesias.

Hoje, sentindo-me distante, tão particularmente encerrado neste meu 'viver -ostra', disponho-me a dar um giro pelas notícias e reportagens dos jornais do dia. Novamente, é uma realidade a cada instante mais complexa com que me deparo.

Há uma matéria especial sobre os novos empregos do século vinte e um. E mais profissões, altamente especializadas, que passo a conhecer , como a do aquaculturista, que atua na produção de organismos aquáticos. E e a do atuário, profissional que sabe mensurar quanto custam os riscos, um gestor de possíveis danos, espécie de guru das empresas de seguros, por exemplo. . Acidentes de trânsito, doenças, viabilidade de investimentos, tudo passa pelo seu crivo e aferimento.

Nas praias do litoral norte de São Paulo, uma nova modalidade de lazer aquático, o Stand Up Paddle Surf , é o frisson deste verão. Esporte para cuja prática são necessários apenas um prancha e um remo.

A equipe de lexicógrafos do Novo Dicionário Americano de Oxford apresenta sua lista de neologismos mais ‘quentes’ de 2008. 'Frugalista' é um deles, escrito exatamente assim, com o sufixo espanhol ‘ista’ adotado nos anos 90 pelos americanos na palavra ‘fashionista’, referente a alguém que segue religiosamente a moda. 'Frugalista', por sua vez, designa a pessoa que mantém um estilo de vida frugal, permanecendo, porém, saudável, sempre na moda, reciclando ou trocando roupas, comprando utensílios de segunda mão, etc. Sábia atitude neste ano de vacas magras que se inicia.

Mas o foco das manchetes e reportagens dos jornais deste domingo recai sobre os preparativos para a posse de Barack Obama, e o grande desafio que esse carismático democrata tem pela frente: os Estados Unidos e o mundo em recessão e o acirramento da eterna crise no Oriente Médio.

Um pouco mais atualizado com o que acontece fora do meu quintal, passo ao que mais me interessa, uma entrevista com Ferreira Gullar, no Estado de São Paulo. O poeta, aos oitenta anos, retorna à poesia, uma década após a última publicação de seus versos. Está finalizando o livro 'Em Alguma Parte Alguma', com poemas inéditos, a ser lançado pela editora José Olympio.

O que me toca nessa entrevista são suas declarações sobre o seu ser e fazer poéticos.

Para Gullar, cronista, pintor, crítico, o mais importante é a poesia, que nasce do espanto quando a vida lhe revela um novo ângulo, algo que desconhecia. Um perfume de jasmim já lhe inspirou os sentidos para a criação de um maravilhoso poema.

Fecho, então, os jornais, apaziguado. Quando detalhes tão mínimos , como uma certa luz , uma árvore em flor, ou uma canção antiga, me inspiram, não estou tão só, tão abstraído do humano, assim.

Após tanta atuação e conhecimento do mundo, Gullar redescobre o poeta que sempre trouxe dentro de si . E nos diz que o cotidiano com suas particularidades provoca-lhe, às vezes, uma desordem interna, um impulso incontrolável que o leva à poesia.

Minhas também as suas palavras e a sua idiossincrasia.
Fernando Campanella, Janeiro de 2009



'...E digo mais: o poema não é a expressão do que se viveu ou experimentou. Se eu sinto um cheiro de jasmim na noite e escrevo um poema sobre esse fato, o que faço não é expressar tal experiência, mas, na verdade, usá-la como impulso para inventar uma coisa que não existia antes: o poema, o qual se somará a todas as galáxias, planetas, cometas, oceanos e tudo o mais que exista no universo. E o universo será, a partir de então, tudo o que já era mais aquele pequeno agregado de palavras, nascido de um perfume."

Ferreira Gullar, parágrafo final da crônica "E o cronista endoidou..." Folha de S.Paulo (19.06.2005)

DESORDEM


"... o jasmim, por exemplo
é um sistema
como a aranha
(diferente de poema)
o perfume
é um tipo de desordem
a que o olfato põe ordem
e sorve..."
(Ferreira Gullar)


UMA COROLA

Em algum lugar
esplende uma corola
de cor vermelho queimado
metálica
Não está em nenhum jardim
em nenhum jarro
da sala
ou na janela
Não cheira
não atrai abelhas
não murchará
apenas fulge
em alguma parte
da vida
(Ferreira Goulart, Uma corola,
de seu livro inédito)



AQUARELA


Lírio do Brejo, foto by
Fernando Campanella

Bananeiras
lírios do brejo
sapos
e reticências mineiras

Em transparências de tédio
a aquarela da tarde
é meu exílio de Minas....

Fernando Campanella , 1993

sábado, 7 de março de 2009


Paineira no inverno, foto by Fernando Campanella


Painas no chão, foto by Fernando Campanella


Painas, foto by Fernando Campanella


Muchoco, foto by Fernando Campanella

sexta-feira, 6 de março de 2009

MUCHOCO



Muchoco, Foto by Fernando Campanella

Meu itinerário neste sábado frio de Julho é uma visita a uma paineira que vi há exatamente um ano, ao lado da cachoeira da Usina. Naquele julho passado, ela erguia-se grandiosa, desprendendo suas painas, um suave lençol de algodão a seus pés, evocando tempos de maturidade e desapego no final de tarde.

E hoje saio na tarde para registrar em foto aquele mesmo branco, seus flocos , alguns soprando ao vento, outros cobrindo o chão. Mas a estrada, aquele meu particular caminho de Santiago em Minas, me detém em suas outras belezas... Não há pressa, o sol vai lento. Ipês já se cobrindo de roxos e amarelos, as onipresentes flores de São João, as pombas do campo, as legítimas, como dizem, e as enigmáticas árvores secas tomam minha atenção, distraindo-me satisfatoriamente de meu intento.

No meio do caminho, uma árvore toda bordada de flores vermelhas, que eu já vira antes, certamente, mas a que nunca pusera a merecida atenção. Que exuberante paisagem para um foto! Preciso passar por uma porteira para uma maior proximidade dela, e peço licença ao dono da terra, o senhor Tarcísio, que se encontra por perto. Permissão concedida, tiro as fotos, e pergunto ao senhor o nome da árvore. – O povo daqui chama ela de Muchoco, ou Patinho – amigavelmente me diz.

Que nome exótico, misterioso , Muchoco, que me lembra algo em som de x, bochecha, ou muxoxo.... E que também me traz as chaves de um segredo árabe, de um jardim japonês . Não sei se a árvore é nativa, ou se foi trazida da África, como as espatódias, ou do Oriente... Mas absolutamente não importa.

Quando finalmente chego à paineira da Usina, esperando encontrar o mesmo espetáculo daquelas sementes se desprendendo, o que experimento é uma grande decepção. A paineira completamente dissipada, um esqueleto de galhos frios, nenhum fruto, nenhum tapete de painas no chão.

O que acontecera com a cronologia das estações? Voaram aquelas sementes mais cedo? Algum efeito do aquecimento global? O Sr. Luís, dono das terras da cachoeira, me informa que este ano a paineira floresceu em Março e se esvaiu mais cedo. Acontece. Para as árvores não deve haver calendários fixos como, para nós, os aniversários e os natais. Dissipa-se quando sente chegado seu tempo.

Pena não ter eu fotografado a paineira na ocasião da visita anterior . Azar meu que não vivo no campo , que sou um vaga-lume urbano, um romântico tardio. Bastante frustrado, só me resta enfiar a viola no saco e retornar à cidade.

Mas ao sol cadente naquele finalzinho de tarde houve uma súbita revolução de cores no céu, tudo tão intenso, luz sorvendo luz, tons explodindo em tons. E, maravilhado , então mais precavido, captei o possível daquele espetáculo natural em fotos. Depois uma meia-lua brilhou num azul de um quase noturno manto. Outros momentos, outros encantos. Aqueles momentos, assim como o Muchoco, estavam muito bem guardados em minha câmera, essas alegrias agora não me escapam.

Fernando Campanella, 21 de Julho de 2007

quinta-feira, 5 de março de 2009

OFÍCIO


Foto by Fernando Campanella


Naturezas de borboleta
forjam casulos em silêncio.
Em segredo, universos tramam
O absoluto florescimento.

Tanta beleza em surdina
que já não se conta o tempo.

O ferreiro tece o concreto
em diurno alheamento.

Também meu ofício de arte
por estas vias se encorpa.
Tanta mobilidade, tantas formas
me saíram do bolso
assim como do nada

no mais desprovido silêncio.

Fernando Campanella, 1989