terça-feira, 9 de junho de 2009

SELVAGEM


Foto by Fernando Campanella

(Poema dedicado a um jardineiro, meu amigo)

E Deus rogou as pragas:
braquearas
trevos
ora-pro-nobis -

após as chuvas
um sapo estufa
e a vida estica.

Um pardal corteja
a flor conspícua
da tiririca*.

Fernando Campanella



TIRIRICA



Segundo o site informativo Wikipédia, a Tiririca , Cyperus rotundus, é uma planta de rápido desenvolvimento, com maior amplitude de distribuição no mundo. Originária, provavelmente, da Índia, encontra-se em países de clima tropical, subtropical e temperado. Sua introdução no Brasil, acredita-se, deu-se atráves dos navios mercantes portugueses nos tempos coloniais. Sua tremenda capacidade de multiplicação faz com que forme até quarenta toneladas de matéria vegetal por hectare.

A Tiririca é considerada a planta daninha mais nociva e disseminada do mundo. Informação obtida no site:

ORA-PRO-NÓBIS


Ora-pro-nóbis
http://gororobasdobrasil.blogspot.com/2008/03/ora-pro-nbis.html


1)Bruna Rafaela Veiga Brasil, em seu blogger 'Gororobas do Brasil (vide acima) nos dá a informação sobre esta planta, o Ora-pro-nóbis. Seu nome científico é Pereskia Aculeata Miller. Seu nome popular foi dado, dizem, por pessoas que colhiam plantas na casa de um padre enquanto este rezava o seu 'ora-pro-nóbis. Já foi considerada uma praga. Mas hoje suas folhas e comestíveis são muito utilizadas na tradicional cozinha mineira.
Segundo nos informa ainda Rafaela, em Sabará, MG, existe um concurso de receitas com a planta. Suas flores duram apenas um dia.
Recomendo uma visita ao blogger, onde, além de receitas culinárias, podemos encontrar também informações sobre dieta, plantas, etc.
2)Aqui, um vídeo da mais.uol.com.br, sobre o festival de receitas com Ora-pro-nóbis em Sabará, MG

sexta-feira, 5 de junho de 2009

LÓTUS





Acima, um trabalho de formatação de minha amiga Leila Laderzi com meu poema e foto de meu amigo Antonio Carlos Januário. Agradeço aos dois por comporem comigo esta bela imagem. Três sensibilidades unidas pela arte.

O poema acima encontra-se em duas versões, difícil optar, apresento as duas:

Lótus
Meu lago
meu lodo
o todo obscuro da alma.

Ali onde tantos se afogam
eu sonho meu lótus
eu escrevo nas águas.

LÓTUS
Meu lago
meu lótus -

ali onde tantos se afogam
eu escrevo nas águas.

(Fernando Campanella)

ERRÁTICO



http://www.jornallivre.com.br/
images_enviadas/o-que-e-anemona6-jpg.jpg*


Meu frágil eu, apanhador de minha alma, foi enredado desde cedo ao mar. Interpelavam-me os narcisos às sombras úmidas; as vagas inclementes acidulavam minha língua e minhas narinas. De que espuma, aquele branco gosto? De que mariscos, aquele olfato abissal?

Meu barco, gaivota da mais desamparada figura, soçobrava às ondas. Navegante das causas perdidas, recorri à poesia que por mim advogasse. Meu óbulo foi assim o mergulhar nas palavras encantadas . Meu destino foi sorver, gota a gota, de meu mar.

O resgate do labirinto das fossas é hoje este silêncio , interface, onde antes era ruído e mundo errático . Senhor de mim, creio que me venci. Ainda a duras penas recolho belezas, estas estrelas marejadas, aqui, acolá , e, deste Hades líquido, vou aprendendo a furtar leveza.

Herói sem grandes causas, minha glória é que experimento o amor, e como aquáticas, inebriadas, anêmonas sinto-me, então, a flutuar.

Fernando Campanella, 28/10/2007



*"As anêmonas do mar são animais exclusivamente marinhos, do Filo Cnidária ou Celenterado, mesm grupo dos corais, medusas, gorgônias, caravelas e hidras."

Fonte: http://www.jornallivre.com.br/images_enviadas/o-que-e-anemona6-jpg.jpg

A imagem da anêmona do mar acima é uma foto que eu gostaria de ter feito. Dou os parabéns ao seu autor cujo nome infelizmente não pude obter. Se ele a conseguiu de um aquário, ou mesmo do fundo do mar, não importa. Sua alma , pelo mágico processo da fotografia, uniu-se à alma do objeto focado e nessa simbiose realizou essa maravilha a qual agora encanta e inspira outros olhos. Almas encontrando-se na arte.
(Fernando Campanella)

Trata-se, a imagem da foto, de uma Heteractis crispa. Esse anêmona de longos tentáculos "...prefere se fixar à rocha, e pode começar a escalar os vidros se o aquário não oferecer luz suficiente. Gosta de bastante circulação de água... Aceita bem alimento e cresce relativamente devagar..."

Fonte: http://www.jornallivre.com.br/images_enviadas/o-que-e-anemona6-jpg.jpg

domingo, 31 de maio de 2009

NINFEIAS-ROSA


Ninfeias-rosa, foto by Fernando Campanella

Meu conhecimento das ninfeias-rosa tem se consubstanciado através da arte. Do primeiro contato com essas exóticas flores surgiu um poema em temática impressionista, com velada referência a Monet e seu jardim das ninféias, fonte de inspiração para o pintor.

Do segundo encontro com essas delicadezas aquáticas, vieram algumas fotos, tomadas à distância devido à impossibilidade de aproximação das mesmas pela sua localização no centro de um lago.

Alguns meses depois, passando por uma cidade vizinha, encontrei as lindas flores, estrategicamente dispostas à beira de uma lagoa. Porém, o local, embora semelhante a um parque, era uma propriedade particular, e só pude fotografá-las ainda à distância, pelos orifícios da tela do seu cercado.

Finalmente, em outra viagem àquela cidade, consegui permissão do caseiro da propriedade para entrar no recinto e fotografar aquele tesouro de perto. O empreendimento compensou-me então com belas imagens.

Não procurei entender por que as ninfeias começaram a ocupar este espaço em meu poemas ou fotos. Não tento discorrer racionalmente sobre o que me leva a buscar certos temas em minha criação. A arte tem sua lógica própria e uma vez que a ela nos abrimos tece sua própria teia, à nossa revelia. Há algo intuitivo no âmago de quem cria que o leva na incansável busca de seus motivos, de sua expressividade.

Mas qual artista não sonha com a obra-prima, com o poema mais que perfeito, com a mais irretocável foto, pintura, etc...? Vi através de fotos de um site um lótus-branco no jardim botânico do Rio de Janeiro, o que daria um belo registro fotográfico. Talvez surja-me a oportunidade de visitar e escrever sobre uma vitória-régia na Amazônia, tida como a mais bela flor aquática do mundo. Ou posso fotografar novamente estas ninféias-rosa aqui da região, com maior conhecimento da técnica fotográfica, equipado com uma câmera mais potente e especializada.

São perspectivas que podem se abrir, porém, não há pressa nem ansiedade. Deixo que minha intrínseca aranha, faminta de natureza e estética, vá tecendo em mim sua teia na captura de imagens.

Apenas a título de informação, fiquei sabendo por uma paisagista que as ninfeias-rosa são originárias da Índia. E estive pesquisando também sobre a posição do lótus (uma espécie de ninféia) em meditação, e sobre o Sutra do Lótus, uma das mais importantes transmissões do budismo.

Índia, Budismo e o jardim de Monet devem ter ressonâncias profundas em minha alma, podem ser o substrato de toda essa revelação das ninféias em mim. Mas, como dito acima, melhor não tentar entender. Concedo à minha alma de artista que fale por si própria, buscando seus motivos, revelando certa luz em seus meandros.

Fernando Campanella

FOTOS DAS NINFEIAS-ROSA ( TRÊS TEMPOS)


Ninfeia-rosa, foto by Fernando Campanella
(Segunda visita, com fotos)


Ninfeia-rosa,foto by Fernando Campanella
(Terceira visita , com fotos)
Ninfeias-rosa,foto by Fernando Campanella
(Quarta visita , com fotos

Ninfeia-rosa, foto by Fernando Campanella
(Quarta visita, com fotos)