domingo, 12 de julho de 2009

VERSOS PARA MINAS


Foto by Fernando Campanella
(região de Pedralva, sul de MG)


O que me fica de Minas,
mais que os rumos das inconfidências,
são as ossadas azuis distantes de seus montes,
indecifráveis dinossauros férreos
incrustados na vastidão da alma...

Fernando Campanella

(Trecho de 'Versos para Minas'.)

sábado, 11 de julho de 2009

FLOREARTE


A flor no jardim


"... e no entanto nem Salomão em toda sua glória
jamais se vestiu como um deles." (Novo testamento)


Tetradenia riparia ( Incenso, Pluma-de-neve,
Mirra, Misty Plume Bush), vista em um jardim de
Silvianópolis, sul de MG)
Foto by Fernando Campanella



A visão da flor acima foi uma 'anomalia'. Experimentei uma irregularidade no movimento orbital de meus olhos, 'de minhas retinas cansadas', ao perceber pela primeira vez, e registrar em fotos, essa inacreditável delicadeza.

Ela se encontrava em um jardim de uma pequena cidade vizinha por onde passei. A proprietária da casa abriu-me, gentilmente, as portas para que eu tirasse as fotos, e ofertou-me algumas mudas, as quais , por não haver mais espaço em meus exíguos canteiros, repassei à minha cunhada para replantar em sua chácara.

A senhora proprietária disse-me tratar-se o arbusto de uma Azinheira, 'a mesma árvore sobre a qual Nossa Senhora apareceu aos pastores em Fátima, Portugal'. Mas acredito ter havido um engano. As Azinheiras são árvores com flores amareladas, de grande porte, atingindo até dez metros de altura, nativas da região mediterrânea da Europa, cuja madeira resistente à putrefação é utilizada na construção e na fabricação de ferramenta, embarcações e barris.

Quanto ao fato de a Virgem ter aparecido aos campesinos sobre uma copa de uma pequena Azinheira, minha simpática anfitriã passou a informação correta. Por um outro lado, justificável o seu engano: nada mais propício para uma santa aparição que aquelas inflorescências de seu jardim.

Por uma grande amiga, amante e conhecedora das artes e das flores, fui informado tratar-se o arbusto visitado de uma Tetradenia riparia, ou Incenso, Pluma-de-neve, Mirra ( não a Mirra comum, dos reis magos, que é uma ávore espinhosa que pode atingir até cinco metros de altura), etc.

Esta Mirra, ou Pluma-de-neve, traz outras ressurgências. 'É um arbusto originário da África do Sul, com alcance médio de 1,20 - 1,60 m de altura, com folhas largo-ovaladas, denteadas e espessas. Possui numerosas inflorescências. Suas flores apresentam cores que variam do branco ao róseo-creme e são muito' perfumadas' (aroma de incenso). 'Adapta-se bem a climas subtropicais, com período de florescimento nos meses de inverno' ( vi suas flores agora em julho, em plena estação fria no sudeste do Brasil).

Dizem que os povos da tribo Zulu da África do Sul têm muitos usos terapêuticos para essa planta. Deles vieram os nomes 'iboza' e 'ibozane'. Outro nome que se dá a ela é umuravumba, o qual me parece ser também de origem africana.

De minha aldeia, de meu registro da bela mirra, passando por minhas amigas com seu amor à flora, e suas informações em diferentes níveis, emocional e científico, chegando à evocação de Nossa Senhora de Fátima na Azinheira, dos magos com suas dádivas, e dos Zulus no sul do continente africano - eis a bordadura da arte, através da órbita irregular de meus olhos e do beneplácito da tecnologia e da mídia eletrônica.

Eis o pretérito tornando-se presente, entreabrindo o futuro, através do encantamento, no vislumbre da eternidade de uma flor.

Fernando Campanella


Meus agradecimentos a Dona Lea e a sua simpática família, a Maria Madalena, minha querida amiga de Porto Alegre que me passou informações sobre a Tetradenia riparia através de sua
fonte:

Lorenzi , H. & Souza, H. M. 1999 , Plantas Ornamentais do Brasil - arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa, SP. Instituto Plantarum, 2. ed. rev. e ampl. pag. 617

Outras fontes:


b) Wikipédia




quinta-feira, 9 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

EXPERIMENTAL


Cleome Hassleriana ( Spider flower, Flor-aranha)
Foto by Fernando Campanella*

uma abelha
pousa
em uma spicata

nada de novo
salvo a palavra
alçada:

voluta
ou delicata

Fernando Campanella


EXPERIMENTAL

a bee
lands
upon a spicata

nothing new
save the word
hoisted:

volute
or delicata

(Fernando Campanella)
* A flor da foto é uma Cleome Hassleriana, identificada por minha grande amiga Maria Madalena. É uma flor popularmente denominada 'Flor-aranha', nativa da América do Sul (Argentina, Paraguai, Uruguai e sudeste do Brasil). Existe em várias cores e tonalidades.
The flower on the photo is a Cleome Hassleriana, also called spider flower, a species of Cleome, native to South America in Argentina, Paraguay, Uruguay, and southeast Brazil. It may be found in different colors and hues.

domingo, 5 de julho de 2009

REMOINHOS


Moinhos, óleo s/tela 70x50, obra de
Nuno de Sousa Mendes*, foto do blogger

Meus pensamentos no ralo das horas,
escoam alguns, outros mofam:
quem move esta máquina ontológica
de moer, remoendo
tudo que me pensa por dentro?
Se me decifrasse, não escreveria,
não escrevendo, morria.
Um poema por inteiro me escapa
quando o tempo é meu mestre
e aprendo a desentupir a pia.

Fernando Campanella

* A tela da foto, Moinhos, é do pintor português Nuno de Sousa Mendes. "Detentor de um estilo muito particular, trabalha temas variados, como tauromaquia*, paisagens de campo e mar, descobrimentos portugueses e naturezas mortas."

Informação transcrita do blogger: http://www.portugal-linha.pt/arte

*Tauromaquia: arte de tourear.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

EFEMÉRIDES (JULHO)


(Painas) Foto by Fernando Campanella

Julho é uma paineira que se esvai.
Meu coração tem tempos assim
ora em flor
ora a se dissipar.
Fluidas são as painas
que envovem meus sonhos -
sementes aéreas que nem os ventos
sabem aonde vão dar.

Fernando Campanella

terça-feira, 30 de junho de 2009

RETRATO


Foto by Fernando Campanella
(Foto gentilmente autorizada)

Fenecer como as parras
e as flores
fender o riso de encobertos
intraduzíveis amores -

o coração entre o lume brando
e a usura
ralentando
'pero sin perder la ternura'.

Fernando Campanella

RETRATO

Fenecer como las parras
y las flores
hender la risa de encubiertos
intraducibles amores -
el corazón entre el lumbre blando
y la usura
arralando
'pero sin perder la ternura'.

Fernando Campanella

(Versão para o espanhol por
Fernando Campanella, com a
ajuda de minha amiga Madalena)