sábado, 8 de agosto de 2009

A CAPELLA


Cemitério de S.Sebastião das Tês Orelhas,
Foto by Fernando Campanella


O cemitério de São Sebastião
é um universo a capella
onde a humanidade se despe
corruíras descansam

e se agarram as gavinhas.

Fernando Campanella, 1991


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

D' OIRO


Foto by Fernando Campanella

Antes que o amor entristeça
e a sombra nos colha em seus laços,
passeemos, as mãos dadas, Lídia,
pela fímbria d'oiro destes jardins.

Fernando Campanella






terça-feira, 4 de agosto de 2009

UM POEMA EM INGLÊS E SUA TRADUÇÃO


White lilac ( Lírio branco) by Heather from Flickr

INTERDICTA
(Anima interdicta
in saecula seculorum)

I’ve felt you come blind-folded
into the flanks of my night
bringing me a handful of buds:
roses, clovers and lilacs white.

But, o, poetry,
let’s seal it a secret -
all my captive birds fly
by your passing I saw

though men shall not be granted flowers
in our unscripted stone-aging law.

Fernando Campanella


INTERDICTA


(Anima interdicta
in saecula seculorum)

Eu te senti entrar de olhos vendados
pelos meus noturnos flancos
trazendo –me em mão cheia botões:
rosas, trevos e lírios brancos.

Mas, oh, poesia,
vamos tal segredo selar -
todos meus pássaros cativos voarem
à tua passagem eu vi

porém a homens não serão outorgadas flores,
insiste uma envelhecida lei das pedras
em ditar.

Fernando Campanella







segunda-feira, 3 de agosto de 2009

QUEBRANTO


Golfinho no mar de Fernando de Noronha
Foto by Fernando Campanella

Golfinho, meu mestre,
meu coração bate em pedras,
vem, e me ensina o sonar.

(Encanta-me o molejo dos deuses,
invoca-me o quebranto do mar.)

(Poema XV da série 'O Eu Confesso',
Fernando Campanella)

sábado, 1 de agosto de 2009

EFEMÉRIDES (AGOSTO)


Foto by Fernando Campanella

Agosto não é bem rima
nem bem desgosto
é quase um quê de mim
em ipês amarelos
e roxos.

(Fernando Campanella, poema da
série Efemérides)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

'CON AROMA A CEDRO'


Con aroma a cedro
por Alicia Ruiz do Flickr*

Dispus a madeira dos versos
junto a um carpinteiro
em sua atribuição usual.
Entregamo-nos a nossos ofícios
e sentimos o aroma do cedro,
assim como o das palavras
em mais raro primor talhadas.

Quem dera também eu pudesse
no sétimo dia descansar meu intento
como o bom carpinteiro

ou talvez como abelhas
no aconchego da arquitetura final.

Fernando Campanella, poema XVII
da série 'O Eu Confesso'.
*Meu agradecimento especial a Alicia Ruiz, cujo trabalho fotográfico encontrei no Flickr, por ter consentido na postagem de sua foto acima, e por ter me dado inspiração para o título e um verso do poema postado.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A MEDIA LUZ


Campo de girassóis em Lavras, sul de MG
Foto by Fernando Campanella

Sempre reneguei o tango
e os entusiastas de Gardel

longe de mim a passional postura
eivada de desolação e dor

o amor sempre em mim
um campo de mais alvos,
intocáveis, lírios
onde não choveu.

Afastei o bruxo, cerrei a tenda
mas na contrapartida
adiei o fruto, me ceguei à cor.

(Violinos eternos , bandoneóns ,
toquem-me hoje um tango crepuscular e tardio,
toquem, que desaprendi o me bastar
e o meu cismar sozinho,

à meia-luz ,
meu coração
são girassóis que dançam -
todo chama, e torvelinho.)

Fernando Campanella