quarta-feira, 12 de agosto de 2009

À NOITE SONHAMOS


A noite, 2.bp.blogspot.com

À noite seguimos descuidados,
a vida em árvores densas de aromas,
em pétalas tintas de orvalho.

À noite sonhamos em um céu de metáforas
onde a lua é unha que arrepia segredos,
estrelas são hangares pequeninos -
a sombra , um dócil lobo que nos chama.

À noite, rompemos degredos,
volvemos aos ninhos,
somos meninos -

infância distraída de seus medos.

Fernando Campanella

terça-feira, 11 de agosto de 2009

PRIMEIRAS FOTOS


Foto by Fernando Campanella
"... o desenho incógnito das árvores..."

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

INFÂNCIA


Foto by Fernando Campanella

O que é aquilo
no bico do bem-te-vi?
Será minhoca, será capim?
Será a comida do filhote
ou um novo ninho no jardim?

Fernando Campanella, 1994

sábado, 8 de agosto de 2009

A CAPELLA


Cemitério de S.Sebastião das Tês Orelhas,
Foto by Fernando Campanella


O cemitério de São Sebastião
é um universo a capella
onde a humanidade se despe
corruíras descansam

e se agarram as gavinhas.

Fernando Campanella, 1991


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

D' OIRO


Foto by Fernando Campanella

Antes que o amor entristeça
e a sombra nos colha em seus laços,
passeemos, as mãos dadas, Lídia,
pela fímbria d'oiro destes jardins.

Fernando Campanella






terça-feira, 4 de agosto de 2009

UM POEMA EM INGLÊS E SUA TRADUÇÃO


White lilac ( Lírio branco) by Heather from Flickr

INTERDICTA
(Anima interdicta
in saecula seculorum)

I’ve felt you come blind-folded
into the flanks of my night
bringing me a handful of buds:
roses, clovers and lilacs white.

But, o, poetry,
let’s seal it a secret -
all my captive birds fly
by your passing I saw

though men shall not be granted flowers
in our unscripted stone-aging law.

Fernando Campanella


INTERDICTA


(Anima interdicta
in saecula seculorum)

Eu te senti entrar de olhos vendados
pelos meus noturnos flancos
trazendo –me em mão cheia botões:
rosas, trevos e lírios brancos.

Mas, oh, poesia,
vamos tal segredo selar -
todos meus pássaros cativos voarem
à tua passagem eu vi

porém a homens não serão outorgadas flores,
insiste uma envelhecida lei das pedras
em ditar.

Fernando Campanella







segunda-feira, 3 de agosto de 2009

QUEBRANTO


Golfinho no mar de Fernando de Noronha
Foto by Fernando Campanella

Golfinho, meu mestre,
meu coração bate em pedras,
vem, e me ensina o sonar.

(Encanta-me o molejo dos deuses,
invoca-me o quebranto do mar.)

(Poema XV da série 'O Eu Confesso',
Fernando Campanella)