Foto by Ana Gonzales
Eu, que não vivi o Alentejo,
que não voei com as cegonhas
sobre suas albufeiras ao entardecer
( nem em suas quintas pernoitei)
e que não cantei odes
à glória de um D.Manuel e suas esquadras
( nem o Tejo naveguei)
que às suas capelas
não me desfiz dos ossos,
não venci seus mitos,
não venci seus mitos,
não cruzei o Bojador
(nem de sua flor mais bela
em Évora me enamorei)
eu, disso tudo
por descompasso dos astros,
me privei.
Mas, oh, fado lusitano,
oh, alma dolente e migrante,
tua nostalgia– teu estar nunca estando – tua sede
por mares nunca d’outrem
navegados,
esse tanto, eu herdei.
Fernando Campanella
