segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O EU CONFESSO (FRAGMENTO)


Foto por Fernando Campanella

chove...

fitam-me olhos de folhagens
que não sei se me dizem algo
ou se por dom de humana arte
fantasio que os compreendo


chove...


o fora, permeando o dentro,
talvez seja o infindável leito
por onde flui a seiva da palavra
em mim

(Fernando Campanella, poema de 'O Eu Confesso')


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

COMO OS ANOS


Foto por Fernando Campanella


aquelas gotas de chuva
nas folhas
pesam, pesam...

e se tornam leves
quando não são mais tempo

e
caem

Fernando Campanella




...Um brinde aos vivos e aos mortos, ao dia-após-dia, ao ano que se desmancha, e ao que principia, à Terra, à nossa espoliada casa, à nossa jornada, ao protocolo de Kioto, à física quântica, a Você, a Mim, à nossa imensa família, aos vários sexos e raças, às nossas diferenças e igualdades,
à utopia, à boa palavra, a um novo milênio, à esperança de um novo mundo, com mais respeito e tolerância, a um Deus, enfim, maior à nossa própria imagem, às cores, ao arco da nova aliança.
Fernando Campanella, passagem do ano de 2006

FELIZ ANO NOVO A TODOS MEUS QUERIDOS AMIGOS DA BLOGOSFERA.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

SINOS DE MINAS


Foto por Fernando Campanella

Dois sinos tocam ao finado,
um maior, como do céu chamando,
e a alma melancólica respondendo
'Já vou indo, meu pai'
é o sino menor dobrado.

Outro sino
nove vezes na tarde badala
ad aeternum evocando a chegada
do antigo anjo dos mitos.

Aqui, sinos não celebram grandes impérios
nem cataclismos rememoram
nem por isso menos sino se torna
o eco do longínquo que sentimos.

Aqui também bate o sineiro
sinos doces, pequeninos
e da branca torre no natal
todo ano como num encanto
desce do Deus menino
um soprinho.

(Fernando Campanella)

UM FELIZ NATAL A TODOS AMIGOS QUE ME VISITAM, QUE SEMPRE DEMONSTRARAM CARINHO E APRECIAÇÃO PELO MEU TRABALHO. O ESPÍRITO DA ARTE (EM DEUS, ACIMA DE TODA HUMANA ARTE) NOS IRMANA.


domingo, 12 de dezembro de 2010

E QUE PASSA...


Foto por Fernando Campanella

Tua beleza, inconsciente de si,
me puxa em seus encantos
para o seu leito.

Mas o que fazer de tua beleza
senao enquadrá-la em vaso
para nutrir a mesa

senão sofrer/gozá-la em doses
de venenos súbitos e densos...

Como um jardineiro de ventos
prefiro ver-te
eras galgando muros
ervas tecendo pastos
ou aérea flor da memória.

Amar tua beleza, não mais,
como cor que não apreendo
rio que não estanco
e que passa...

Fernando Campanella


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

VOA, PALAVRA


Design por Marco Antonio Costa (Marcantonio)
Poema por Fernando Campanella



Voa, palavra

a ave avião



Fotos por Fernando Campanella

(Meu agradecimento ao Marcantonio que fez o belo trabalho com meu poema, tendo como fundo uma obra de Paul Klee.)


sábado, 27 de novembro de 2010

CHOVE


Mycena interrupta
Foto encontrada no blog de Taíla www.http://taibioimagens.blogspot.com
Fonte: eol.com.br


CHOVE

a memória como um tronco
e o amor brota-me olhos
de cogumelos azuis

Fernando Campanella

(Nunca esquecerei que à entrada daquela mata, sob a chuva, tinha um tronco e que nele brotou o encanto de cogumelos azuis.)
Fernando Campanella

No vídeo abaixo, minha grande amiga Marialba Matos de Castro, professora de flauta doce e teoria de música em nosso conservatório, e em em faculdade de São Paulo, criadora do grupo de música antiga 'Le Bizarre', canta 'Besame' de Flávio Venturini.

sábado, 20 de novembro de 2010

E ME ALIVIA....


Foto por Fernando Campanella

Eu me alegro
à terra firme
sob meus sapatos
surrados

refaço as pedras
retomo as insanidades
do meio dia

- irrelevantes agora
a velha praga da horta
e os ratos
da minha cozinha -

acaricio as ranhuras
da minha porta

ajoelho, beijo o solo
da alma reencontrada.

(No eco das sombras
já não havia ternura
e podaram-se os jardins
das palavras)

Até que à fria gosma dos musgos
eu me confunda
e a surda ausência me destitua,
amor, me toma, e me alivia.

Fernando Campanella, 2006