sábado, 21 de novembro de 2009

REVELAÇÕES



Recebi da amiga ANA TAPADAS o desafio de completar estas cinco frases:

Eu já....
Eu nunca....
Eu sei...
Eu quero...
Eu sonho...

Estas são minhas respostas:
-
EU JÁ... CHOREI, E MUITO.
- EU NUNCA... ESTIVE NA IRLANDA, MAS GOSTARIA MUITO DE CONHECER ESSE PAÍS.
- EU SEI... QUE HÁ ALGO ALÉM DA EXISTÊNCIA, MAS É UM SABER INTUITIVO, POR ASSIM DIZER.
- EU QUERO...SER LEVE, TRANQUILO, FELIZ.
- EU SONHO... COM UM MUNDO ONDE HAJA COOPERAÇÃO, ONDE TODOS TRABALHEM POR UM, E UM POR TODOS.

As regras são designar cinco blogs, que devem indicar de quem receberam o convite.

São eles:
JOSÉ CARLOS BRANDÃO - www.poesiacronica.blogspot.com

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

MANTIQUEIRA MOUNTAINS


Foto by Fernando Campanella


Do alto destes montes, posso sentir a terra mais quieta, as cidades sem ruídos, as árvores desenhadas em antigas porcelanas chinesas lá embaixo. Destes cumes necessito para abstrair certa leveza da vida, uma energia menos carregada do humano.

Aqui, o silêncio é interrompido apenas pela canção interna do vento, ou por um pio rarefeito de um pássaro, sua mística atravessando o ar.

O mundo visto daqui é uma aquarela cambiando cores ao longo do dia. Ao longe, às vezes, alguma tempestade se encorpa, confunde céus e terra, e passa.

Quando desço destes refúgios, novamente sinto o arsenal das cores carregadas de nossos conflitos. Paciência, não trago ainda a vibração dos santos.

Bênção minha que no silêncio de minhas nascentes me inspiro, que em seus úmidos arcos de cores sobre os montes vez em quando me refrato.

Fernando Campanella

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

IMAGEM DO DIA


Foto by Fernando Campanella


... ali onde tantos se afogam
eu escrevo nas águas...

Fernando Campanella

terça-feira, 17 de novembro de 2009

EM UM JARDIM (TRÊS POEMAS E UM FRAGMENTO)


Foto by Fernando Campanella

... os grilos agora tilintam
e a luz da lua
impregna as árvores de um bálsamo...
(Fragmento de um poema by Fernando Campanella)

I
- solitário cri de um grilo
que acasala outros cris
e crispa de amorosa eternidade
a sonolência úmida do jardim -

II
Dança comigo, dama da noite,
inebria-me do sono do mato
ali conspiro com os trevos
à boca miúda
ali a estridência dos grilos
eu acato.

III
Insetozinho mudo
que passas por minha janela
vê, agora não me escapas:
a mesma luz que nos aproxima
em certo ângulo nos fecha.
Abre o jogo, meu amigo,
também não te perguntas
por que Deus se finge em acaso
por que tudo se veste de nada?

Fernando Campanella

domingo, 15 de novembro de 2009

CAIXA-PRETA ( TUDO ESTÁ DITO)



Obras de poesia Concreta e Neoconcreta:
'Caixa-preta', 1975 e 'Tudo está dito',1974,
por Augusto de Campos e Julio Plaza

Tudo está dito
o dito pelo não dito
tudo ainda está
por se dizer.
(Fernando Campanella)

Sejamos tão somente amigos, minha querida. Evitaremos, assim, a dolorosa espiral de ciúmes, as armadilhas em que nos enfurnamos neste doce labirinto chamado amor.

Eu não mais por ti suspirarei, nem tu por mim. Nem mais estragaremos uma tarde mais-que-perfeita por uma palavra impensada, mal-dita. Não nos enredaremos na desgastante lavagem da roupa suja, na infinita listagem de nossos bravos atos em nome de nosso abnegado e sofrido amor, o saldo sempre posititivo para o próprio lado.

Eu me esquecerei de telefonar, de enviar aquelas flores, tão óbvias e comerciáveis. Viajarás com mais frequência, fruindo mais a vida, sem mim. Dormiremos até mais tarde, em quartos distantes, e prosearemos mais longa e languidamente com nossos outros amigos, sem posterior prestação de contas de onde estivemos , por onde andamos, etc. etc.... Retomaremos o fio rompido de nossa individualidade.

E, sobretudo, seremos mais pacientes , perdoaremo-nos mais sabiamente as omissões e os erros. Abriremos o coração, sem escrúpulos. Amigos até o final de nossos tempos, na alegria e na dor.

Melhor ficarmos assim, então, o que me pouparia até de escrever-te e mails melosos, esdrúxulos como este . Amigos com transparência de alma, como água na luz. Poderíamos abrir sem dedos nossas caixas-pretas, com a mais grata certeza de incondicional compreensão.

Mas assim sendo, suplico-te, somente não me fales de teu novo amor, eu não suportaria detalhes de tua outra alegria.

P.S. Pensando melhor, fica o dito pelo não dito, deixemos nossas caixas-pretas em um mar profundo, lá na fossa das Marianas, ou de Mindanau. E que por lá fiquem, seladas, emudecidas. Ou desapareçam, misteriosamente no triângulo das Bermudas, para todo o sempre.

P.S.II Ah, ia me esquecendo, adoro enviar-te e mails ridículos, dizer-te o já-tão- dito, sempre, amado amor.

Fernando Campanella

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DESIDERATA


Foto by Fernando Campanella


A poesia, se um dia de mim se for,
que eu não a renegue, nem de meus poemas
eu diga, ‘ah um dia isto tresloucado eu fiz’.

Quando o tempo da mais morna sensatez
ao chão me puxar , como um laivo de razão
a ensombrar os deuses, e as horas
vierem despidas, desfolhados na vastidão ,
que eu não cerre as pálpebras
e mumure, ' consummatum est,
foi tudo desvio e dissipação’.

E se não mais me vibrarem os tímbalos
e de mim restarem tão somente
o silêncio imune e a cinza amorfa,
que de mim eu me lembre
como um acendedor de palavras,

e que eu me leia, na noite,
como se lêem os mosaicos dos sonhos,
os versos, o melhor de meus atos,
a mais sublime, libertária , rendição.

Fernando Campanella, Novembro de 2008

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

LUSÓFONOS*


Laranjas do Alentejo
Foto by Emilio Moitas
http://www.flickr.com/photos/emoitas/page2/

Transcrevo aqui o belo texto que a escritora e professora portuguesa Ana Tapadas escreveu em uma postagem que fez ontem com meus textos 'Capela dos Ossos', e 'Mares nunca d'outrem navegados', em seu blog.

"Publico, hoje, para os meus amigos, um «post» de
Fernando Campanella. Aqui vos deixo a prova viva de que a lusofonia traz num fio da memória a Língua que somos e nos dá um rosto trazido de algures...lá onde nasceram os mitos. Bacia serena de algum mar interno, por onde andámos, velhos persas sem rumo, gregos por ruas de Alexandria quando a cidade vivia um apogeu antigo e rumávamos a Rodes, sabendo que Ítaca estava distante.
Que rumor é este que trazemos na nossa Língua?"

(Ana Tapadas)

Link para o blog da Ana onde está a postagem:


Muito obrigado, minha amiga.


*Lusofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo.

Segundo Michaelis:
LUSÓFONO:----1- Diz-se do, ou o indivíduo que fala português. 2 Diz-se do, ou o indivíduo ou povo que, não tendo o português como seu vernáculo, fala-o por cultura ou por adoção como língua franca, tal como acontece em regiões africanas e asiáticas que sofreram influência dos antigos colonos portugueses. Ver: lusófone

Fonte: