
Foto por Carlos Moreno, do blog: http://www.elmundo.es/
O teu silêncio é ave noturna,
pupila que de remotas torres vigia:
dos filhotes já os trêmulos augúrios,
do consorte a fome de rapina.
Tem algo abissal o teu silêncio,
pérola onde toda luz engasta:
dos cavalos do mar o galope náutico
e as líquidas crinas,
das dorsais oceânicas a geometria do assombro,
o sólido frontal encanto.
Atos litúrgicos, iluminuras, litanias,
o teu silêncio é ainda espargido incenso,
cinza imemorial e odora,
nave dos dissensos góticos que ergui.
(Melhor te amariam os olhos
que distraídos de mim te vissem.)
Fernando Campanella