segunda-feira, 9 de março de 2009

HERMANN HESSE


(Aquarela de Hermann Hesse)
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Hermann Hesse é uma presença, uma identificação em minha vida. Seu romantismo atemporal, sua sensível leitura do mundo , suas aquarelas, tudo dele me toca, como um mistério, tornando-me, além de um admirador ou um discípulo, um continuador desta corrente de almas que buscam na natureza inspiração e sentido, nela encontrando sua verdadeira pátria.

Este poema meu, abaixo, exemplifica o exposto acima:

Outono
uma aragem
uma estação
um rito de passagem...
um cão sem pelo
em cima do muro:
não é lava nem gelo
nem claro nem escuro
uma luz quase sedada
em transição
(as árvores confrangem;
os ursos já estendem
suas camas)
um sopro
esta alma esvoaçada
um verso
uma folha de mim
à tua janela
deixada.

Fernando Campanella


Agora, um trecho de um livro de crônicas de viagem do Hesse, ‘Pequenas Alegrias’, que comprei em um Sebo. Publicação da editora Record em bela tradução de Lya Luft, de 1977.


“...Muitas coisas boas ainda nos esperam antes que o inverno retorne. As uvas azuladas se tornarão macias e doces, os rapazes cantarão durante e colheita, as mocinhas em seus coloridos lenços de cabeça parecerão belas flores do campo entre as videiras. Muitas coisas boas ainda nos aguardam, e muito do que hoje nos parece amargo amanhã parecerá doce, quando tivermos aprendido melhor a arte de morrer. Por enquanto esperamos o amadurecer das uvas, o cair das castanhas, esperamos apreciar a próxima lua cheia, envelhecemos visivelmente, mas ainda vemos a morte bastante ao longe. Como disse um poeta;

Magnífico é para os velhos
O calor do fogão e o rubro vinho,
E por fim uma suave morte –
Mais tarde, porém, hoje ainda não!

( Hermann Hesse, Fim de verão, 1926)




PELOS CAMPOS


Passam nuvens no céu,
sopra o vento pelos campos,
pelos campos vagueia
o perdido filho de minha mãe.
Rolam folhas nas estradas,
- cantam pássaros nas árvores
nalgum lugar pelos montes
deve estar minha terra
distante.

(Hermann Hesse)


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