sexta-feira, 30 de outubro de 2009

SEGREDO


Foto by Antonio Carlos Januário

Imagino
que saio a pescar a luz na tarde,
meu samburá a tiracolo,
antes que os deuses do dia
atrelem as carruagens
e o sol se incline
no abismo da memória.

Mudo as pedras.

Imagino, então,
Dona Lua,
por puro encanto,
até as franjas do infinito
tecendo um halo
e capturando estrelas
no encalço.

Imagino, imagino,
e deste imaginar me reincorporo,
chispo rudes pérolas:
alucino?

Fernando Campanella, 08 de Junho de 2007

7 comentários:

  1. Não, não alucinas! Este poema é maravilhoso, adorei cada palavra.
    beijo

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  2. Não alucina, isto é coisa de pescador, um samburá, um rio e um céu de estrelas...quer coisa melhor???
    Brincadeirinha... lindo final de semana
    um abraço

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  3. Hello, Fernando Campanella.
    Thank you for visiting my blog.

    I watched your photograph (Flickr). All is a splendid work of art.
    As for me,in particular a crane and the blue sky were left in the impression.
    I can watch Brazilian beautiful Nature and am glad.

    Estou feliz por ter você assistir o verde do Extremo Oriente.

    Obrigado.

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  4. Imaginar. Saber que as pedras têm alma pelo som inquietante dos passos. Saber que a vida vai tecendo e destecendo a memória do que sonhámos.
    Um beijo, meu amigo.

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  5. Como eu gosto desse poema... demais!

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  6. Lindo, ahhh, obrigado pela escolha da minha foto a enredar tão lindo poema, aliás, uma verddadeira cena poética! Lindo demais! Abraço

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