quinta-feira, 7 de maio de 2009

METÁFORA


Foto by Fernando Campanella

Já não tento reter do dia
a luz que, por exata, concede
a chama alquímica dos amantes
a doçura de pétalas breves.
O tempo tem o galope das Fúrias
ventos que jamais enternecem.

Melhor correr, da memória, o labirinto,
drenar os aquíferos fundos
e aguardar: o que restar
será na noite a forma intáctil,
o espectro redivivo.

(Mais no mundo me tardo,
mais no comando de sombras
me esmero.)

Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago:
a metáfora,
pétala incorpórea com que me visto.

Fernando Campanella (Julho de 2006)

5 comentários:

  1. Hoje mesmo li algo do Quintana que falava desse tema: o tempo inexorável, a vulnerabilidade de nossa vida...

    "Um vôo de andorinha
    Deixa no ar o risco de um frêmito...
    Que é isto, coração?! Fica aí, quietinho:
    Chegou a idade de dormir!
    Mas
    Quem é que pode parar os caminhos?
    E os rios cantando e correndo?
    E as folhas ao vento? E os ninhos..."

    Bjs.

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  2. Esse poema é lindo! Alma pura! Parabéns!!

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  3. Muito obrigado, Flor, os temas dos poetas são os mesmos, sempre, o que muda é a forma de dizer. Grande abraço.

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  4. Muito obrigado pela visita , também, Antonio Carlos. Este poema marca meu retorno , após uns 15 anos, á poesia. Grande abraço.

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