quarta-feira, 21 de outubro de 2009

AO SAL


Foto by Antonio Carlos Januário


"Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."
(Pablo Neruda)


Nega-me tua alma
e ao degredo irremediável
me remetes

nega –me tua chama
que tremula no delírio dos deuses,
teu anjo, que ressona no silêncio

dos lagos, tuas asas desdobradas

nega-me, nega-me tua espuma
que regurgita no sonho das aves
(eu sou o teu infante pássaro)
e é sem minhas fontes que me deixas,
sem meu ar extasiado

nega-me teu mar, tua tempestade,
o sonho, a fantasia,
e me deixas a seco ,ao sal amargo
de cada dia.

nega-me teu olhos e já não me enxergo
que a felicidade, embora utopia das sombras,
é também certa luz incidente
que só de teu olhar
meus olhos como cúmplices recebem.

Fernando Campanella

4 comentários:

  1. Hei poeta!!!!! Obrigado e muito pelo uso de minha foto, em tão lindo e soberbo poema! É lindo demais!! Uma verdadeira pérola, aliás mais uma das lindas que vc tem nos apresentado! Poema perfeito, verdadeiro enaltecimento ao sentimento perfeito e buscado. Grande abraço, e mais uma vez! Obrigado pela adoçao de minha imagem!!!!!

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  2. Belíssima esta expressão: a felicidade, embora utopia das sombras,
    é também certa luz incidente
    que só de teu olhar
    meus olhos como cúmplices recebem.

    Um abraço

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  3. Fernando,

    a foto do A.C. Januário é linda...
    são cúmplices ela e a tua poesia na luz que irradiam.

    Bjs.

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