quinta-feira, 29 de outubro de 2009

FRAGMENTOS*


Foto by Fernando Campanella

I

Haverá uma tarde
em que alguém lerá meus versos
mas neles, distraído, já não me acho.
Não uma tarde como esta
de pretensões confessas
quando tudo que fiz conta
ou não.

Ou não haverá uma tarde
para toda idiossincrasia.

II

Vou tocando meus versos
como conduziam ovelhas
os bem antigos pastores.
Alimento, toso, tranco o estábulo
e deixo uma intenção em fresta
para os olhos do mundo
para a luz-vaidade.
Mas sei que isso ainda não basta.
O sonho é mais vasto
E o infinito de mim
puxa mais embaixo.

III

Quase noite, recolho no armário
minhas ovelhas, meus versos.
Solto os músculos:
não se agüentavam mais
minhas faces.

IV

No armário , em sombra e mofo,
fiquem meus versos.
O dia me arde.

Mas quando durmo
podem sonhar em mim.

V

No jardim do recolhimento
versos são também pássaros
que às vezes vêm bicar
minha solidão povoada.


*Os versos acima são a abertura de uma série de poemas confessionais, intimistas, que intitulei 'O Eu Confesso'.


3 comentários:

  1. Dear friend Fernando, adoro seus versos intimistas, tenho o privilégio de tê-los em meu blogger, mas é sempre um prazer renovado reler essa tua maravilhosa lírica.
    Quanto as tuas fotos, estão simplesmente uma beleza, aperfeiçoaste as técnicas, deste mais vida e luz a elas, parabéns, já és um mestre na arte fotográfica.
    Aceite um grande abraço, da amiga de sempre

    Maria Madalena

    ResponderExcluir
  2. Palavras de nossa dama, são minhas palavras! Lindo! Assim como a foto que o enreda! Grande abraço poeta! Esta série é demais!

    ResponderExcluir