Foto por Fernando Campanella SONHOS NO CREPÚSCULO Sonhos no crepúsculo, Apenas sonhos encerrando o dia, Retornando-o com tal desfecho, Aos tons cinza, escurecidos, Às coisas fundas e longínquas Do território dos sonhos. Sonhos, apenas sonhos no crepúsculo, Apenas as rotas imagens lembradas Dos tempos idos, quando o ocaso de cada dia Escrevia em prantos as perdas da afeição. Lágrimas e perdas e sonhos desfeitos Talvez acolham teu coração ao anoitecer. (Dreams in the Dusk, poema de Carl Sandburg, tradução de Fernando Campanella)
Foto por Fernando Campanella
DREAMS IN THE DUSK
Dreams in the dusk, Only dreams closing the day And with the day's close going back To the gray things, to the dark things, The far, deep things of dreamland. Dreams, only dreams in the dusk, Only the old remembered pictures Of lost days when the day's loss Wrote in tears the heart's loss. Tears and loss and broken dreams May find your heart at dusk. (Carl Sandburg)
Foto por Fernando Campanella seria uma rua encantada onde as casas exalam cores e os vizinhos dão bom-dia quando amanhece e o sol vem sentar na calçada Fernando Campanella
Vã toda palavra à tua súbita visão, cerejeira em flor
(Fernando Campanella)
Uma velha sem dentes que rejuvenece cerejeira em flor
(Matsuo Bashô)
*A flor de cerejeira é uma flor de qualquer árvore do gênero 'Prunus', particularmente a cerejeira japonesa 'Prunus serrulata', a qual é chamada algumas vezes de 'Sakura'. (Wikipedia)
Benditos os filhos do ventre da terra que o sol desperta tão cedo que o trigo e a uva aguardam no campo para o mágico processo do pão e do vinho. Benditos os frutos da terra que se abrem à manhã em silêncios e cantos que se mesclam no ar e os filhos da paz que ligam o céu ao mundo, os que reciclam o dia dele retirando sustento e eternidade. Abençoados os que bendizem, os que curam, os que a dor amenizam e que por via da tolerância se entendem. Benditos os que domam a cólera e se transformam no amor, amor que bebe da vida em identidade. Bendito o sol que amadurece os frutos da terra. Mais bendita a luz por que anseia a 'noite escura da alma'. Fernando Campanella, poema escrito em 1984.