uma aragem uma estação um rito de passagem um cão sem pelo em cima do muro não é lava nem gelo nem claro nem escuro uma luz quase sedada em transição (as árvores confrangem os ursos já estendem as camas) um sopro um verso esta alma esvoaçada uma folha de mim à tua janela deixada
Meu agradecimento a minha amiga Sônia Brandão, autora do blog O PÁSSARO IMPOSSÍVEL (http://passaroimpossivel.blogspot.com) pela gentileza de conceder-me sua bela foto para esta postagem (acima) tirada na região de Delfinópolis, cidade próxima à serra da Canastra, sudoeste de Minas Gerais.
...encontre-me lá à fímbria da tarde quando pássaros voarem sobre arrozais em flor...
(...find me there, where the birds flyupon the fields of rice...)
Fernando Campanella, inspirado em 'Fields of Gold', por Sting. (Poem by Fernando Campanella, inspired in 'Fields of Gold', by Sting) Campos de arroz, fotos por Fernando Campanella
...sei que os bezerros às vezes param e me observam quando por sobre o muro de silêncio os contemplo - é quando uma súbita luz corta o tempo - depois nada mais acontece a não ser o delicado ruminar de bezerros absolvendo a tarde de metafísicas inúteis
Fernando Campanella, 1993
Fotos por Fernando Campanella
(Meu agradecimento a Leila Laderzi, minha grande amiga, pela criação do novo cabeçalho para o blog.)
Mais uma vez, o bloco da Gertrudes saiu nas ruas nesta terça-feira passada de carnaval.
Sem o luxo das escolas de samba oficiais da cidade, as pessoas que o integram vestem-se como podem,como querem, a maioria dos homens e meninos com indumentária feminina. O que contam são a simplicidade e a vibração nas mãos e nos pés.
O bloco em questão é uma versão atualizada, ou até mesmo um prolongamento, do antigo Bloco da Vaca, que tanto nos alegrava nos antigos carnavais da cidade. Naquele tempo, os criadores e integrantes do grupo saíam às ruas também na terça-feira, pedindo algum trocado para beberem, um dos quais transportando um arcabouço de uma vaca preta que realmente excitava as
crianças (diferente da versão mais colorida e estilizada na foto acima).
No Bloco da Gertrudes da atualidade até meninos e meninas se juntam à bateria com seus instrumentos, como tambores, pandeiros, cornetas, etc.
Sempre presentes na celebração, a saudável irreverência e a descontração (ou desconstrução). Aqui, um rapaz vestido de noiva borbulha em alegria.
O batuque e as cores dos tambores dão o tom e o brilho essencial à festa.
Mesmo que não se toque bem algum instrumento, não há que se preocupar,um ritmo básico já basta, e , no conjunto,todos se harmonizam nesse evento, parte de uma celebração que acaba se transformando no maior espetáculo coletivo do planeta.
Mas há bons ritmistas participando da folia também.
"E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade..." (Carlos Lyra, Marcha da quarta-feira de cinzas)
...Pra tudo se acabar na quarta-feira? Em termos. O show continua e no ano que vem, no mesmo horário, no mesmo local, sob sol ou chuva, o Bloco da Gertrudes concentra-se para botar a alegria nas ruas novamente.
(Meus agradecimentos aos integrantes do bloco que tão bem me receberam e permitiram que os fotografasse.)