sábado, 18 de abril de 2009

BREVE HISTÓRICO DA CRÔNICA



Fernão Lopes
http://en.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_Lopes



Do grego chronikós, referente a tempo (chrónos), pelo latim chronica ,o vocábulo crônica, segundo Massaud Moisés, “designava, no início da era cristã, uma lista ou relação de acontecimentos, segundo a marcha do tempo, isto é, em sequência cronológica”.

Outras fontes nos informam que em suas origens a crônica destinava-se a relatos de fatos verídicos e nobres, também em ordem cronológica. No Antigo Testamento, por exemplo, no livro das Crônicas, o que se visava era o registro da grande história do povo e dos reis de Israel. E em Portugal em 1434, Fernão Lopes, notário, guardião-mor da Torre do Tombo, foi oficialmente designado pelo infante rei D. Duarte, a escrever as crônicas dos reis anteriores e dos feitos do rei D. João I.

Nos dois exemplos acima citados, podemos constatar que esse tipo de narrativa revestia-se de uma aura de grandeza, sendo os cronistas contratados não somente pelo seu conhecimento histórico, como pela habilidade de narrar em elegante e bela linguagem as glórias do contratante e de seus antepassados.

Embora capacitados para tal empreita, dedicados à pesquisa, munidos de informação e de material arquivístico e, sobretudo, preocupados com a veracidade do que relatariam, os cronistas antigos, apaniguados pelos reis e nobres, não poderiam livrar-se completamente de um certo partidarismo, de uma visão às vezes unilateral dos fatos que relatavam. Daí resvalavam às vezes, em certas passagens de suas crônicas, para o romance histórico.

Rigor histórico à parte, foi a própria literatura a que mais se enriqueceu com as crônicas ditas ‘do reino’. Nos relatos sobre a glória de Davi, por exemplo, temos a passagem de sua oração a Deus, uma pérola espiritual e literária: “...Dignai-vos, portanto, (Senhor) abençoar a casa de vosso servo, para que ela subsista perpetuamente diante de vós; porque o que abençoais, Senhor, é para sempre bendito.” E Fernão Lopes, nas palavras de Oliveira Marques, é um dos maiores escritores de todos os tempos, por seu poder descritivo e evocativo, quando por exemplo personaliza uma cidade como Lisboa.

Já da época das grandes navegações, que diz respeito ao Brasil, a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel é tida como a primeira crônica nacional. O relato da descoberta de nosso país era uma crônica no sentido atribuído ao vocábulo, ou seja, narrativa em ordem cronológica do que acontecia no Novo Mundo. Indiscutível também foi seu valor literário, “pois ele recria com engenho a arte tudo o que ele registra no contato direto com os índios e seus costumes naquele instante de confronto entre a cultura européia e a cultura primitiva”. (Jorge de Sá).

No século XIX, com a ampla difusão da imprensa, a crônica assumiu seu sentido estritamente literário. Segundo alguns estudiosos, ela apareceu inicialmente em forma de folhetim, no rodapé dos jornais da época. José de Alencar definiu o folhetim como uma miscelânea de assuntos, de artigos a ensaios ou resenhas literárias.

Dos folhetins iniciais, foi então se aclimatando na pena de grandes talentos de nossa literatura, até assumir, segundo alguns críticos literários, uma identidade própria, uma característica tipicamente nacional, componente imprescindível dos jornais.

Fernando Campanella, 18 de abril de 2009

Fontes de Consulta:

1)A Bíblia Sagrada (Antigo Testamento)

2) http://www.arqnet.pt/portal/pontosdevista/om_lopes.html

3) http://www.capuchinhos.org/biblia/index.php?title=1%C2%BA_das_Cr%C3%B3nicas

4) http://bocc.ubi.pt/pag/tuzino-yolanda-uma-interseccao.pdf


12 comentários:

  1. Oi Fernando!

    Que bom encontrar alguém que também defenda a Crônica como genuinamente nossa! Satisfação em dose dupla!
    Parabéns pelo texto e pelo blog!

    Grande abraço:
    Yolanda Tuzino

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  2. Obrigado, Yolanda, muito obrigado, sabe, eu gosto muito desse texto, foi fruto de uma pesquisa que me deu muita satisfação. Fiquei feliz com teu reconhecimento. Apareça mais vezes. Grande abraço.

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  3. esse sit é muito podre......

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  4. Otimo texto. Ajudou muito ao meu trabalho. PARABENS!!!!

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  5. fernando gostei muito da sua inteligencia e da sua capascidade de descobrir muito conhecimento e nos auxilia e tambem nos ensinar a descobrir a nossa capascidade de lendo podemos aprende o menos impossivel obrigado por me animar e agradesso a deus por me dar sabedorias tchauuuuuuuuuuuuuuu e desejo parabens para voce

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  6. Nossa que fecha..............

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  7. thank you fernando...very god

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  8. .muito bom seu jeito de falar sobre crônicas veridicas

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