domingo, 14 de junho de 2009

CORUJAS EM TRÊS TEMPOS


Foto by Fernando Campanella


Eu sigo escrevendo , bebendo de poetas que adoto, deixando a alma me conduzir a este porto íntimo onde as estrelas pousam, os grilos cricram e a dama-da-noite me seduz com seu perfume, suas vestes de seda e luz. Ah, corujas também me visitam e tomam às vezes um chá comigo, depois partem, com promessas de volta.
Assim a minha alma, rastreadora do universo, da polissemia, ou da própria ausência de qualquer sentido. Viver, no mistério mais encantado da palavra, é metaforizar.
Fernando Campanella


I

Corujas
são pupilas
sencientes
da noite
que afronta

- eu sou pupila
do faz-
de-
conta.

II


Faz de conta que a coruja
me chama em augúrios
na noite.

Tolo caçador de mistério
me faço:

corujas e eu
não roemos a mesma corda

e mistérios, se existem,
em mim não cabem,
passam longe da minha porta.

III

(INFÂNCIA)

Mãe coruja fez seu ninho
lá no oco do bambu
- salta fora, passarinho,
passa longe urutu.





5 comentários:

  1. Perfeita!! Adorei, a foto (e m lembro dela), o texto, os poemas!!! Magnifica composiçao!!! Abraço...

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  2. Boa-noite querido amigo Fernando!
    Gosto demais de seu bolg, por isso e por sua presença sempre marcante e carinhosa, em 'Meus poemas favoritos', tenho um presentinho para você, por favor passe lá para pegá-lo!
    Um grande abraço.

    Maria Madalena Schuck

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  3. Obrigado, Antonio Carlos. Vc tem fotos desta coruja também, tiramos juntos, e são muito bonitas também. Adoro corujas, mas são muito bravinhas, não? Grande abraço.

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  4. Obrigado pelo presente, Madalena, e que presente. Mas, como eu te disse, ter meus poemas e crônicas postados em teu blogger são o maior presente que já me dás. Muito obrigado pelo carinho, sempre. Bjos.

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  5. A Arca De Noé (musical)

    Corujinha
    Vinicius De Moraes & Toquinho

    Corujinha, corujinha
    Que peninha de você
    Fica toda encolhidinha
    Sempre olhando não sei que
    O teu canto de repente
    Faz a gente estremecer

    Corujinha, pobrezinha
    Todo mundo que te vê
    Diz assim, ah! coitadinha
    Que feinha que é você

    Quando a noite vem chegando
    Chega o teu amanhecer
    E se o sol vem despontando
    Vais voando te esconder
    Hoje em dia andas vaidosa
    Orgulhosa com quê

    Toda noite tua carinha
    Aparece na TV
    Corujinha, corujinha
    Que feinha que é você!

    *Mari*

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