domingo, 5 de abril de 2009

A POEM BY KATHERINE MANSFIELD


Primrose1a.jpg

A FINE DAY

After all the rain, the sun
Shines on hill and grassy mead;
Fly into the garden, child,
You are very glad indeed.

For the days have been so dull,
Oh, so special dark and drear,
That you told me, "Mr. Sun
Has forgotten we live here.

"Dew upon the lily lawn,
Dew upon the garden beds;
Daintly from all the leaves
Pop the little primrose heads.

And the violets in the copse
With their parasols of green
Take a little peek at you;
They're the bluest you have seen.

On the lilac tree a bird
Singing first a little not,
Then a burst of happy song
Bubbles in his lifted throat.

O the sun, the comfy sun!
This the song that you must sing,
"Thank you for the birds, the flowers,
Thank you, sun, for everything."

Katherine Mansfield

sábado, 4 de abril de 2009

MARGEM


Foto by Fernando Campanella

O rio que corre por minha aldeia
são martins-pescadores
em odores do mundo,
são cílios cortados
em manchas lubrax.
Mas ainda leva o céu
na envergadura
ainda estende artéria
para o mar.
Nele posso sentar-me à margem
atirar uma pedra na água
em meus silêncios concêntricos
velejar.

Fernando Campanella









quarta-feira, 1 de abril de 2009

NESTE, OU EM OUTROS MUNDOS


http://2.bp.blogspot.com/_


O mundo apagou as luzes no sábado passado, 28 de Março. Monumentos, marcos históricos, edifícios famosos das grandes cidades do mundo tiveram a iluminação desligada por uma hora em protesto contra o aquecimento global, aderindo à proposta ‘Hora do Planeta’ da ONG ambientalista Worldwide Fund for Nature (WWF).

Tal iniciativa em nível mundial, assim como outras voltadas para a preservação do meio-ambiente, sempre traz à tona a indagação urgente, crucial, sobre o futuro da humanidade na terra. E as perspectivas da sustentabilidade de nosso planeta são um tanto quanto sombrias, como avisam cientistas e ambientalistas, uma vez que os focos nevrálgicos de sua depredação crescem em alarmante proporção geométrica.

A inquirição sobre o destino global faz, assim, com que ativemos nossa imaginação, projetando cenários, alguns apocalípticos, outros um pouco mais otimistas. Entretanto, são tantas as variáveis envolvidas quando se questiona nosso futuro que tais projeções não podem passar mesmo de especulações.

Sobreviveria nossa espoliada Terra aos malefícios que lhe são causados, ou seria ela , com tudo que comporta, que nela vive, restituída ao nada, à condição de partícula, de poeira existencial? Ou colonizaríamos outros mundos, uma vez esgotada a viabilidade, e os recursos, de sobrevivência neste ambiente em que ora vivemos?

Em ‘2001, Uma Odisséia no Espaço’, de 1968, aclamado por muitos críticos de cinema como o melhor filme de ficção científica de todos os tempos, o diretor Stanley Kubrick e o escritor e roteirista Arthur Clarke se reuniram para nos apresentar, em ficção, essa alternativa de povoamento de nosso satélite, a lua, e de outros planetas do sistema solar.

Porém, o que engrandece tal filme não são suas projeções de colonização de outros mundos, nem seus efeitos especiais revolucionários, ganhadores do Oscar à época. Seu conteúdo filosófico é o que o torna referência como grande obra do cinema. Kubrick e Clarke propõem uma alteração da consciência do homem para que empreendamos a viagem cósmica a que parecemos estar pré-destinados.

Essa alteração implicaria, a meu ver, em uma percepção mais profunda de nossa insignificância e solidão perante o universo e da grandeza que podemos adquirir na cooperação, no respeito à existência de tudo que nos precede, nos deu origem, e conosco convive. Imbuídos dessa consciência não mais desbravaremos mundos para posteriormente os depredarmos, os destruirmos.

Com a consciência afinada aos postulados da ética, à quintessência das religiões, da poesia, dos ideais mais nobres da humanidade, será possível cruzaramos o portal das estrelas, atendendo ao chamado do poeta Yeats:

“... Vem embora, ó criança humana,
Para as águas, para esta natureza,
Com uma fada, de mãos dadas,
Pois, mais do que possas compreender,
O mundo é crivado de lágrimas."
(W.B.Yeats, Infância Roubada*, livre tradução de Fernando Campanella)

Neste, ou em outros mundos, teremos, assim, o essencial encanto, essa nossa infância restituída , talvez já sem o nosso corpo físico, vibrando em outros níveis de energia, como filhos renascidos das estrelas, do universo.

Fernando Campanella, 01 de Abril de 2009.


Loreena Mckennit sings 'Stolen Child', lyrics by W.B. Yeats

http://www.youtube.com/watch?v=Q7TkyxVIfuk


STOLEN CHILD

WHERE dips the rocky highland
Of Sleuth Wood in the lake,
There lies a leafy island
Where flapping herons wake
The drowsy water rats;
There we've hid our faery vats,
Full of berrys
And of reddest stolen cherries.
Come away, O human child!
To the waters and the wild
With a faery, hand in hand,
For the world's more full of weeping than you can understand.
Where the wave of moonlight glosses
The dim gray sands with light,
Far off by furthest Rosses
We foot it all the night,
Weaving olden dances
Mingling hands and mingling glances
Till the moon has taken flight;
To and fro we leap
And chase the frothy bubbles,
While the world is full of troubles
And anxious in its sleep.
Come away, O human child!
To the waters and the wild
With a faery, hand in hand,
For the world's more full of weeping
than you can understand.
Where the wandering water gushes
From the hills above Glen-Car,
In pools among the rushes
That scarce could bathe a star,
We seek for slumbering trout
And whispering in their ears
Give them unquiet dreams;
Leaning softly out
From ferns that drop their tears
Over the young streams.
Come away, O human child!
To the waters and the wild
With a faery, hand in hand,
For the world's more full of weeping than you can understand.
Away with us he's going,
The solemn-eyed:
He'll hear no more the lowing
Of the calves on the warm hillside
Or the kettle on the hob
Sing peace into his breast,
Or see the brown mice bob
Round and round the oatmeal chest.
For he comes, the human child,
To the waters and the wild
With a faery, hand in hand,
For the world's more full of weeping than he can understand.

(Literature Network » William Butler Yeats » The Stolen Child)







2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO


Photo by : blog.hdreview.co.uk/



2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968) Duração: 156 minutos (edição final). Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke. Elenco: John Ashley, Robert Beatty, Keir Dullea, Gary Lockwood, Leornard Rossiter, William Sylvester, Daniel Richter. Oscar de efeitos especiais.

"...O cinema tem muitas razões para existir - proporcionar diversão aos espectadores, proporcionar trabalho para os profissionais da área, proporcionar lucro para os produtores. Mas o cinema, como qualquer outro meio de expressão artística, também tem razões que estão acima das leis do mercado. O cinema pode, às vezes, investigar a razão de ser do próprio ser humano. É o que faz "2001 - Uma odisséia no espaço". Ao mostrar como o homem separou-se dos outros animais e evoluiu tecnologicamente, a partir de um diferencial que ninguém explica muito bem (o "monolito", ou "a mão de Deus", como quiserem), Kubrick pergunta onde essa evolução vai nos levar. Voltaremos a uma encruzilhada existencial (outro monolito; o encontro com outra civilização)? Seremos prisioneiros da mesma tecnologia que nos libertou da animalidade, perdendo a luta evolutiva para seres sem alma, mas superiores intelectualmente? Ou renasceremos, transformados, para começar um novo ciclo, quem sabe agora livres do corpo físico, que ainda é herança da pré-história? ..."

Carlos Gerbase (http://www.terra.com.br/cinema/favoritos/2001.htm)


Cena completa do final do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=f88NZ1sxWX0&NR=1


Trailers do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=vahx4rAd0N0&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=S6umxthz1Ys&feature=related




Ouça parte da trilha sonora do filme:

1) Richard Strauss (Also Sprach Zaratustra)

http://www.youtube.com/watch?v=cWnmCu3U09w

2)Johann Strauss II (Danúbio Azul)

http://www.youtube.com/watch?v=iGZ9GEelQAw

segunda-feira, 30 de março de 2009

FAC-SÍMILE


Artist's rendition of the view from a
hypotheticalplanet orbiting Alpha Centauri A

Estrela, minha Alfa Centauro,
ou uma outra qualquer
a inumeráveis anos-luz de indiferença,
sou um terráqueo instável , nem me sabes,
mas gosto à noite de deitar-te em meus olhos,
cansado das luzes nervosas onde me lavro.

Estrela, meu astro reinventado,
por que assim, enternecido, de ti me enamoro,
na funda noite exorcizado ?

Serias como humanos
que de longe nos encantam
trazendo de perto o cheiro de entranhas,
o encadeamento dos hábitos?

Apascentarias ovelhas à tua órbita?
Saberias da duração de tua glória?

E se eu te tocasse e te dissolvesses em absurdos ares?

Se eu te devorasse , terias de mim próprio
a consistência mesmíssima de um pó,
a fragilidade de um pirilampo -
tudo tão simples fac-símile de tudo
tão em si mesmo desmitificado?

(Estrela, tua terna esfinge me basta.)

Fernando Campanella, 2007


1) Veja o vídeo sobre Alfa Centauro

http://www.youtube.com/watch?v=aKLWuXmUScs




domingo, 29 de março de 2009

STAINED GLASS


Foto by Fernando Campanella

Listen ( Ouça):
l) Coro Capella Sistina

http://www.youtube.com/watch?v=D1RCT8Cliys&feature=related

2)Buddhist chant - Shingon

http://www.youtube.com/watch?v=A1evxMA7yYw&feature=related


Why do I write?
Why do I sometimes
into my hands clasp the light
only to spread it,
a thousand gasping wings
probing the sideless skies -

and the universe
suddenly dresses bright
and a stained glass
in a chapel
then reflects
my heart…

Fernando Campanella


VITRAIS

Por que escrevo?
Por que em minhas mãos
às vezes a luz retenho
apenas para estendê-la -
mil asas ofegantes
sondando os céus
sem beirais –

e de repente o universo
se faz luzente
e uma capela
reflete então
meu coração
em seus vitrais...

Fernando Campanella

DOMINICAIS


Foto by Fernando Campanella

Três poemas e entre eles
o domingo,
minha pena cordial

meu arroio sem glória
meu tédio
meu Tejo sem nau

(Fernando Campanella, 2009)

Estas paisagens que me detêm
trazem, às vezes, de mim
o outro lado, a gastura
e o fastio infinito dos clichês:

desfaço os novelos dos cirros,
enfio a lua no saco
e prossigo,
apagando um a um
os astros.
(Fernando Campanella, 2007)


A eternidade tem às vezes
sete palmos de silêncio
como flagrante
de um fosso dominical
com direito à flor de superfície
sino de longínquo bronze
e imobilidade de sol

(Fernando Campanella, 1986)