terça-feira, 7 de julho de 2009

EXPERIMENTAL


Cleome Hassleriana ( Spider flower, Flor-aranha)
Foto by Fernando Campanella*

uma abelha
pousa
em uma spicata

nada de novo
salvo a palavra
alçada:

voluta
ou delicata

Fernando Campanella


EXPERIMENTAL

a bee
lands
upon a spicata

nothing new
save the word
hoisted:

volute
or delicata

(Fernando Campanella)
* A flor da foto é uma Cleome Hassleriana, identificada por minha grande amiga Maria Madalena. É uma flor popularmente denominada 'Flor-aranha', nativa da América do Sul (Argentina, Paraguai, Uruguai e sudeste do Brasil). Existe em várias cores e tonalidades.
The flower on the photo is a Cleome Hassleriana, also called spider flower, a species of Cleome, native to South America in Argentina, Paraguay, Uruguay, and southeast Brazil. It may be found in different colors and hues.

domingo, 5 de julho de 2009

REMOINHOS


Moinhos, óleo s/tela 70x50, obra de
Nuno de Sousa Mendes*, foto do blogger

Meus pensamentos no ralo das horas,
escoam alguns, outros mofam:
quem move esta máquina ontológica
de moer, remoendo
tudo que me pensa por dentro?
Se me decifrasse, não escreveria,
não escrevendo, morria.
Um poema por inteiro me escapa
quando o tempo é meu mestre
e aprendo a desentupir a pia.

Fernando Campanella

* A tela da foto, Moinhos, é do pintor português Nuno de Sousa Mendes. "Detentor de um estilo muito particular, trabalha temas variados, como tauromaquia*, paisagens de campo e mar, descobrimentos portugueses e naturezas mortas."

Informação transcrita do blogger: http://www.portugal-linha.pt/arte

*Tauromaquia: arte de tourear.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

EFEMÉRIDES (JULHO)


(Painas) Foto by Fernando Campanella

Julho é uma paineira que se esvai.
Meu coração tem tempos assim
ora em flor
ora a se dissipar.
Fluidas são as painas
que envovem meus sonhos -
sementes aéreas que nem os ventos
sabem aonde vão dar.

Fernando Campanella

terça-feira, 30 de junho de 2009

RETRATO


Foto by Fernando Campanella
(Foto gentilmente autorizada)

Fenecer como as parras
e as flores
fender o riso de encobertos
intraduzíveis amores -

o coração entre o lume brando
e a usura
ralentando
'pero sin perder la ternura'.

Fernando Campanella

RETRATO

Fenecer como las parras
y las flores
hender la risa de encubiertos
intraducibles amores -
el corazón entre el lumbre blando
y la usura
arralando
'pero sin perder la ternura'.

Fernando Campanella

(Versão para o espanhol por
Fernando Campanella, com a
ajuda de minha amiga Madalena)

sábado, 27 de junho de 2009

CURARE


Foto: frasco de curare
by Marcia Valle, de sua galeria no Flickr*


O amor é ora barroco
ora me liberta -
que sono é esse
que mais que me adormece
me desperta

que erva as flechas
e me deita em asas -
delicado veneno
para qual o antídoto
é o mesmo amor.

Fernando Campanella

*Foto: "Veneno indígena, Curare, extraido em 1897 e guardado nesse frasco em 1900 por meu bisavô, Antonio Procópio do Valle Junior, em sua pharmacia Procópio, na cidade de Rio Novo, Minas Gerais, Brasil." (Marcia Valle)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

REVISITADO


Foto by Fernando Campanella


Bem-vindo à minha casa
mas se quiseres ir ao sótão
traz as velas , algo ali vive
que não permite a crua luz
escancarada.

Eu o revisito tantas vezes
e não me incomodam seus trastes,
alguns ratos - eles me convivem,
eu sou o velho hóspede da casa.

Subo e desço no cotidiano ato,
gosto de ir às vezes regar,
antes que esquecidas mal cheirem,
as flores de meu cercado
(com a palma de meus olhos
acaricio as ternas fugacidades).

Desço e subo, vou por estes cômodos
sonambulando.

Acomoda-te em minha casa
mas se quiseres entrar em meu sótão
acende as velas.

Ali já estou aclimatado,
sou amigo do gato, eu furto a luz
pelas mínimas frestas do telhado.
Ali todas artimanhas já incorporei,
eu sei dos hábitos, eu me convivo -

eu sou o velho fantasma da casa.

Fernando Campanella

REQUIESCAT


Trabalho de formatação por Leila Laderzi

De meu mar, permito-te as ondas
e as praias que poéticas conchas te trazem.
Tais suaves mistérios te concedo, mais as algas
e as gaivotas que bicam tecidos de luz na tarde.

Povoados de ti, de mim,
os barcos que chegam e ardem.

Adere-te, pois, ao sal que a mim te chama.
Cobre teus pés em espuma e encanto,
molha teu rosto
nas claras águas que o dia me abre.
(Em paz, fiquem minhas dorsais,
descanse meu leviatã esconso)

Fernando Campanella